Roubo de cargas no estado recua em 2025, mas prejuízo ao setor pode chegar a R$ 309 milhões
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Por Aline Maciel

Levantamento aponta terceira queda consecutiva nas ocorrências em São Paulo, apesar disso as perdas financeiras seguem elevadas

O roubo de cargas no estado de São Paulo apresentou redução pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, foram registradas 3.470 ocorrências, número 26,3% inferior ao de 2024, quando houve 4.711 casos. Em 2023, o total havia alcançado 6.063 registros, consolidando uma tendência de retração nos últimos anos.

Os dados fazem parte do estudo Panorama do Roubo de Cargas 2025, elaborado pelo SETCESP com base nas informações do sistema SP Carga, da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

A redução também já aparece nos primeiros indicadores de 2026. Em janeiro, foram contabilizadas 254 ocorrências, volume 27,4% menor em comparação ao mesmo mês de 2025, quando houve 350 registros.

Apesar da queda, o impacto financeiro do crime continua expressivo. Segundo estimativas do setor, os prejuízos apenas com as mercadorias roubadas variaram entre R$ 206,9 milhões e R$ 309,1 milhões em 2025, sem considerar custos indiretos, como atrasos operacionais, aumento do valor dos seguros e investimentos em gerenciamento de risco.

“Além da perda da carga, o crime provoca um efeito cascata na economia, elevando custos operacionais das empresas com seguros, escolta, monitoramento e gestão de risco”, afirma Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP.

Capital paulista concentra maioria das ocorrências

Na área de atuação do SETCESP, que abrange 50 municípios da Grande Região Metropolitana de São Paulo, foram registradas 2.774 ocorrências em 2025.

A capital paulista concentrou 62% dos casos de roubo de carga no período. Na sequência aparecem os municípios de Guarulhos, Osasco, Itapecerica da Serra, Cotia e Embu das Artes, que juntos representam aproximadamente 22,7% das ocorrências. Os demais municípios respondem por cerca de 15% dos registros.

Segundo o estudo, a concentração de casos nestas localidades está relacionada ao intenso fluxo de mercadorias, à presença de centros de distribuição e à forte atividade logística.

“Grande parte das cargas que circulam na região metropolitana tem origem ou destino em outros estados. Quando ocorre um roubo em São Paulo, o impacto ultrapassa o território paulista e afeta toda a cadeia logística nacional”, destaca Rodrigues.

Alimentos lideram lista de cargas mais visadas

A análise do levantamento revela que os criminosos priorizam mercadorias com maior facilidade de revenda no mercado ilegal. Os alimentos lideram as ocorrências, com 28,9% dos casos registrados.

Na sequência aparecem eletroeletrônicos (6,84%), autopeças (2,66%) e produtos farmacêuticos (1,52%). Embora menos frequentes, essas categorias costumam envolver cargas de maior valor agregado. Já as cargas classificadas como ‘outros tipos’ ou ‘carga mista’ representam cerca de 41% das ocorrências, indicando a diversidade de produtos que podem se tornar alvo das quadrilhas.

“O delito acompanha a lógica de mercado: quanto maior a liquidez e a facilidade de revenda, maior a atratividade criminosa”, aponta o relatório.

Entregas e período da manhã aumentam exposição ao crime

O estudo também mostra que o momento da entrega segue sendo o principal ponto de vulnerabilidade das operações logísticas. A previsibilidade das paradas, a fragmentação das cargas e a redução da mobilidade dos veículos tornam esse processo mais suscetível às ações criminosas.

Quase metade das abordagens ocorre durante o descarregamento das mercadorias, responsável por 47,22% dos casos. Já as interceptações com o veículo em movimento representam 33,92% das ocorrências.

A maior parte dos roubos acontece durante o dia, principalmente pela manhã, faixa que concentrou 34,2% dos registros em 2025. O período da tarde respondeu por 27,8% dos casos, seguido pela madrugada (21,3%) e pela noite (11%).

A distribuição das ocorrências ao longo da semana também evidencia maior incidência nos dias úteis. Quarta, quinta e sexta-feira concentram cerca de 58% dos registros, acompanhando o aumento do fluxo logístico e da previsibilidade das rotas.

Para Rodrigues, o cenário reforça a necessidade de ampliar ações integradas de prevenção. “É fundamental fortalecer a integração entre governos, transportadoras e seguradoras, além de ampliar investimentos em inteligência e tecnologia. Esse esforço conjunto é essencial para reduzir ainda mais os índices ao longo de 2026”, afirma.

No estudo destaca-se ainda que o enfrentamento ao roubo de cargas exige não apenas repressão policial, mas também ações estruturadas de prevenção, inteligência e desarticulação econômica das quadrilhas envolvidas.

O relatório possui caráter técnico-analítico e contributivo, e foi elaborado para a subsidiar políticas públicas, estratégias empresariais e aprimoramento da governança da segurança logística na base territorial do SETCESP.

Baixe o relatório completo com o Panorama do Roubo de Cargas de 2025.


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