Veja nova posição do Brasil após queda em ranking de investimento estrangeiro
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O Brasil caiu duas posições no ranking dos 25 destinos mais atrativos para o Investimento Direto no País (IDP) desenvolvido pela consultoria Kearney. O país baixou de 19º para 21º, em um ano em que o as incertezas geopolíticas levaram o predomínio das economias desenvolvidas a se ampliar na preferência dos investidores.

Apenas seis emergentes se mantiveram no top 25 geral esse ano, contra oito em 2024. Nesse grupo, o país subiu uma posição e abocanhou o quarto lugar, atrás apenas de China (6º), Emirados Árabes Unidos (9º) e Arábia Saudita (13º). Completam a lista o México (25º), que caiu quatro posições, e a Índia (24º), que perdeu seis postos. Argentina, Polônia e África do Sul deixaram a lista.

Para Mark Essle, sócio da Kearney no Brasil, o país teve bom desempenho nesta edição, apesar da queda. “Houve poucas mudanças de posição no ranking geral deste ano, o cenário global realmente privilegiou os países desenvolvidos. A presença de tantos países europeus na lista deste ano evidencia o movimento de ‘flight to quality’ [voo em direção a ativos considerados mais seguros, em tradução livre]”, diz. “A queda do Brasil, nesse contexto, é praticamente uma questão de arredondamento das notas. Já entre emergentes, por outro lado, o avanço do país foi surpreendente, ficando acima da Índia, do México e outros vizinhos, como Chile e Colômbia.”

Segundo os entrevistados pela Kearney, o Brasil é atrativo pelos recursos naturais que o país possui – não apenas mineração e agricultura, mas também energia limpa e a economia do carbono – mas também pelo crescimento robusto que vem mantendo nos últimos anos.

“Embora, domesticamente, a gente critique os estímulos fiscais do governo à economia, do ponto de vista internacional, o investidor vê o Brasil como um país com grande base de consumidores grande e um mercado atrativo para o investimento para aproveitar esse potencial, seja em plantas já existentes, seja em novas”, diz.

Outros pontos percebidos como positivos, na comparação com outras economias emergentes, são: a qualificação da mão de obra, a facilidade em se fazer negócios e o tratamento igualitário dado ao investidor estrangeiro, salvo alguns ramos específicos. “Tudo isso faz com que o Brasil fique no top 5 do mundo emergente.”

O índice é construído com base em entrevistas com executivos de empresas sediadas em 30 países e com receita anual superior a US$ 500 milhões. Em 2024, o Brasil voltou ao ranking após ficar fora dele pela segunda vez em 25 anos. Apesar disso, o país segue longe do seu melhor resultado – entre o fim da década de 2000 e o começo da de 2010, chegou a

Neste ano, as entrevistas foram realizadas em janeiro, o que significa que o estudo não reflete os efeitos de boa parte dos anúncios feitos pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou das reações de outras economias, como a China. As respostas dos entrevistados, no entanto, já traziam indícios sobre qual a direção do apetite por risco.

Uma das principais perguntas diz respeito a se a empresa pretende elevar seu investimento estrangeiro nos próximos três anos – nesse caso, houve uma queda de quatro pontos percentuais, de 88% para 84%.

Desempenho

Outro indício foi a elevação da performance econômica doméstica à prioridade número um dos investidores, com 16% de citações – em 2024, apenas 6% citaram este fator como o número um. A performance da economia lidera as preferências juntamente com a eficiência legal e regulatória, um fator que comumente se mantém no topo do interesse dos investidores.

Na outra ponta, entre os maiores receios, os investidores mencionaram a alta dos preços de commodities (38%) e das tensões geopolíticas (35%). Um ambiente regulatório mais restritivo em uma economia desenvolvida também saltou entre as preocupações mais citadas pelos entrevistados, com 32%.

O Brasil foi considerado como um dos países que saíram relativamente melhor do tarifaço anunciado por Trump, com “apenas” 10% de tarifa extra para seus produtos. Para Essle, a guinada internacional é um “cavalo selado” que o Brasil precisa aproveitar, abraçando três fatores que o fortalecem bastante nesse novo contexto: o de ser um parceiro multipolar não alinhado, e o de ser uma potência ambiental e de ter grandes reservas de minerais estratégicos.

Para entrevistados, recursos naturais tornam o Brasil atraente aos olhos dos investidores

“Qualquer investidor que pensa em reduzir sua pegada de carbono olha para o Brasil entre as opções. Além disso, o mercado de carbono foi implementado e deve trazer muito investimento para geração de energia limpa, em captura de carbono a base de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas, agricultura de baixo carbono e produção de etanol para uso veicular e conversão em SAF [combustível de aviação sustentável] “, diz.

O consultor pondera que alguns passos nesse sentido já foram tomados, como a aprovação da reforma tributária, mas que ainda é preciso “fazer a lição de casa” em relação ao fiscal e cuidar da qualidade da governança, em especial em relação às agências reguladoras.

“Qual a agenda negativa do Brasil? Macroconomia desarranjada, juro alto e burocratização. Mais imposto ou retaliação. Se o país se mostrar como um player do Ocidente, que quer abrir portas e se integrar ao mundo, vai trazer mais investimentos”, resume o executivo.


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