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Sem obras, Brasil puxa os cabelos para tentar sair do buraco econômico

Os investimentos privados em concessões de rodovias, aeroportos, portos, ferrovias e transporte urbano devem ter um impacto quase nenhum na economia em 2020 e de 0,3% do PIB em 2022. A estimativa desse efeito muito miúdo é dos economistas do Itaú.

O pessoal do banco expressou em números um dos motivos desta era de expectativas reduzidas quanto ao crescimento brasileiro: falta de investimento na base da economia. Não é destino, não é previsão de que o investimento em obras públicas será um fracasso pelos próximos três anos. Mas temos problemas sérios para evitar que assim seja.

Entre fazer os estudos de uma obra relevante e abrir-se um canteiro de trabalhos, vão-se uns dois anos, sendo otimista. Quede esses grandes novos projetos? Por ora, não estão à vista. Logo, mesmo se o governo der tratos à bola, acelerar estudos e resolver logo problemas regulatórios e de garantias para investidores, teremos mais obras apenas em 2022 e olhe lá.

Sim, há outras possibilidades de investimento em infraestrutura. Os economistas do Itaú não trataram, por exemplo, de saneamento, energia elétrica, petróleo e gás.

Mesmo nesses casos, temos problemas.

O leilão da internet 5G, previsto para março de 2020, deve ocorrer na segunda metade do ano que vem, devido a uma discussão muito enrolada na Anatel, mas não apenas, além de rolos com prefeituras, pendentes de lei em debate no Congresso.

Além de oferecer banda larga muito mais rápida, potente e eficiente, o 5G pode incentivar despesas de inovação nas empresas e vai exigir mais investimentos em infraestrutura de comunicação. Quando? Pelo jeito, apenas no final de 2020 e olhe lá.

O governo vai fazer com que a Petrobras tire seu peso do setor de refino e, mais importante e novo, de gás. Mas ainda é preciso votar nova regulação no Congresso e lidar com as empresas estaduais de gás. Dinheiro novo em 2021?

Há uma lei de saneamento no Congresso, que em tese deveria facilitar a ampliação desse mercado, com maior participação de investimento privado. Na atual versão, o projeto vai acabar retardando em muitos anos a entrada de novas empresas no setor, de resto sem resolver muito bem o problema de levar o serviço a regiões mais pobres, as mais necessitadas.

O setor elétrico tem um sistema de planejamento mais consolidado, mas que precisa de revisão, o que depende também do destino que se vai dar à Eletrobras e de um novo marco regulatório, debate ora emperrado.

O investimento público em obras é minguado e, no governo federal, ora tende a zero. Mesmo com malabarismos ortodoxos ou heterodoxos, não aumentaria de modo relevante até 2022. Sem concessões para a iniciativa privada, estradas etc. ficarão ainda mais podres e não haverá o estímulo ao crescimento que advém dessas obras.

Trata-se de investimento que não depende necessariamente da conjuntura econômica, dinheiro que poderia ressuscitar outros setores da economia, catatônicos por falta de demanda, com imensa capacidade ociosa, pois o PIB se arrasta. Sendo assim, tais setores não investem, claro, em aumento de capacidade ou contratam trabalho.

Quase se pode dizer que estamos tentando sair do chão puxando os cabelos. Não precisa ser assim. Concessões de infraestrutura e regulação arrumada em gás, telecomunicações, saneamento e eletricidade poderiam acelerar os investimentos e reanimar o PIB. Mas a coisa está devagar para um país tão


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