Expansão do biodiesel amplia impacto sobre transporte rodoviário
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Avanço do B16 exige investimentos em logística, armazenagem e distribuição de combustíveis

A ampliação da mistura obrigatória de biodiesel e etanol nos combustíveis fósseis começou a alterar a logística de combustíveis e grãos no Brasil, ampliando a demanda por armazenagem, transporte e infraestrutura para sustentar a expansão da produção nacional de biocombustíveis.

A expectativa do setor é de que ainda em 2026 o país avance para a mistura de 16% de biodiesel no diesel (B16) e de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), movimento que pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade brasileira de importação de combustíveis fósseis, segundo o Ministério de Minas e Energia.

O diesel segue como principal combustível da matriz de transporte de cargas brasileira. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que o país consumiu mais de 69 bilhões de litros em 2025, volume sustentado principalmente pelo transporte rodoviário e pelo agronegócio. Apesar do avanço dos renováveis, o Brasil ainda depende de importações para abastecer parte relevante do mercado interno.

O avanço da política energética ocorre em um momento de maior preocupação com segurança energética e volatilidade do petróleo no mercado internacional. Apesar do crescimento da produção nacional de combustíveis renováveis, o Brasil ainda depende da importação de diesel para abastecer parte relevante do mercado interno, especialmente durante períodos de pico da demanda agrícola.

O impacto da expansão dos biocombustíveis já começa a atingir corredores logísticos ligados ao agronegócio, principalmente no Centro-Oeste e no Matopiba, com aumento da demanda por transporte de soja, milho, farelos e combustíveis entre usinas, esmagadoras, terminais ferroviários e portos exportadores.

Transporte pesado no centro da transição
O avanço do B16 também amplia a pressão sobre o transporte rodoviário de cargas, segmento responsável por mais de 60% da movimentação de mercadorias no país e altamente dependente do diesel fóssil. O combustível representa uma das principais parcelas do custo operacional das transportadoras.

O aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel também adiciona novas variáveis operacionais ao transporte rodoviário de cargas. Transportadoras e operadores acompanham discussões sobre custos de adaptação, manutenção preventiva e armazenamento do combustível, principalmente em frotas mais antigas e operações de longa distância.

Entidades do setor monitoram temas relacionados à estabilidade do biodiesel, troca de filtros, formação de resíduos e impactos sobre componentes dos motores em aplicações severas do transporte pesado.

O crescimento da cadeia de biocombustíveis também deve exigir reforço da infraestrutura logística nacional. O setor avalia que a expansão da produção de etanol, biodiesel e SAF (combustível sustentável de aviação) demandará maior capacidade de armazenagem, novos terminais, ampliação ferroviária e integração multimodal para reduzir gargalos operacionais.

“Se formos voltar um pouco na história, o Proálcool foi criado justamente como resposta à crise do petróleo de 1973”, afirmou Paulo Montabone, diretor da Fenasucro & Agrocana, evento da cadeia sucroenergética e de bioenergia. Segundo o executivo, a ampliação das misturas representa uma estratégia gradual de redução da participação dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira.

CBIOs sustentam expansão da cadeia
O setor também aposta no fortalecimento do RenovaBio como mecanismo de financiamento da transição energética. Para 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis definiu meta de aquisição de 48,09 milhões de Créditos de Descarbonização (CBIOs).

“Na prática, eles funcionam como um ativo financeiro atrelado ao desempenho ambiental, transformando eficiência e sustentabilidade em receita adicional”, afirmou Montabone.

Especialistas do setor avaliam, porém, que a expansão da bioenergia dependerá da capacidade do país de acelerar investimentos logísticos e industriais sem elevar custos operacionais ou criar novos gargalos na distribuição de combustíveis e commodities agrícolas.

O avanço da política do Combustível do Futuro e seus impactos sobre transporte, agronegócio e infraestrutura estarão entre os temas discutidos durante a Fenasucro & Agrocana 2026, realizada entre 11 e 14 de agosto, em Sertãozinho.


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