Brasil cai para 57º lugar em ranking mundial de competitividade em 2021
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O Brasil caiu uma posição no Anuário de Competitividade Mundial, para 57ª lugar entre 64 países, depois de quatro anos de leve avanço, segundo relatório do IMD, de Lausanne (Suíça), reputado como uma das melhores escolas de administração do mundo. Em áreas como eficiência de gastos governamentais e educação, o país ficou na última posição.

O país está no pelotão de baixo da competitividade global marcado por um governo visto com a terceira pior eficiência (62ª lugar) e só à frente dos governos da Venezuela e da Argentina. A imagem ou ‘’marca’’ do país no exterior também continua se deteriorando e ocupa a 61ª posição, melhor apenas que a imagem externa de Turquia, Argentina e Venezuela.

O IMD compara a prosperidade e a competitividade de 64 nações com base em 334 critérios. Os dados estatísticos têm peso de dois terços nos resultados e pesquisas de opinião entre executivos representam um terço.

Em um ano marcado pela crise sanitária, as economias consideradas mais competitivas são Suíça, Suécia, Dinamarca, Holanda e Singapura. Elas têm em comum investimento em inovação, atividade diversificada, coesão social e políticas de apoio governamental.

Os Estados Unidos continuaram na 10ª posição. A China manteve sua trajetória de ascensão e evoluiu da 20ª para a 16ª posição. Em geral, países da Ásia oriental e central e da Europa ocidental melhoraram seus rankings. Já a América do Sul, onde a pandemia continua fazendo estragos importantes, enfrentou uma reversão de melhorias alcançadas nos dois anos anteriores e agora todos os países da região caíram no ranking.

No caso do Brasil, a maior economia da América Latina e a 12ª do mundo, o relatório aponta melhora no indicador de desempenho econômico (56ª posição, ante 51ª no ano anterior), em razão de evolução relativa na economia doméstica, comércio internacional e preços.

‘’Os programas de ajuda a famílias e empresas mantiveram a economia em funcionamento e alavancam agora seu potencial’’, avalia o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, parceira nacional no estudo do IMD.

No mais, o Brasil caiu onde já não estava bem. No indicador de eficiência do governo, que reflete como políticas governamentais ajudam na competitividade, a 62ª posição é explicada pelo pior desempenho entre todos os países (64ª lugar) em termos de gastos do governo central, além de elevado grau de endividamento público e manobras envolvendo teto de gastos. O adiamento das reformas administrativa e tributária também pesou.

Os executivos consultados pela pesquisa apontam problemas no combate à corrupção, retrocesso na Lava Jato, falta de confiança no governo, crescente violência urbana, desigualdades, persistente má distribuição de renda.

Em termos de coesão social, o Brasil está na 60ª posição. E na 52ª, em termos de como a justiça é administrada de forma equânime. No item cultura nacional o país está em 37º lugar, caindo 16 posições no ano da pandemia.

Para José Caballero, do IMD e um dos autores do relatório, há uma percepção de menos tolerância no Brasil, talvez no rastro de polarização envolvendo o combate à covid-19, e que envolve também situação de minorias e abertura ou não a novas ideias e novas propostas.

Nesse contexto, a ‘’marca’’ Brasil no exterior sofre. ‘’Sem entrar no lado político, desde 2019 temos notado uma queda na imagem do Brasil no exterior, na percepção de executivos, provavelmente por questões de uma fraqueza nas instituições, enorme burocracia, corrupção, falta de transparência, preocupação com o estado de direito’’, afirma Caballero.

Outro fator crítico continua sendo a educação. A brasileira é considerada como a de pior qualidade entre os países pesquisados, alcançando o 64º lugar. ‘’Num mundo cada vez mais digital, isso é ainda mais preocupante’’, diz Arruda.

Para o IMD, um dos desafios em 2021 no Brasil continuará a ser a garantia de acesso a vacinas contra a covid-19. Para Arruda, de outro lado, o crescimento de 4% a 5% esperado para este ano pode gerar um círculo virtuoso.

‘’Mas, sobretudo, vamos continuar com as dívida social e educacional que continuarão pesando sobre a competitividade brasileira e requer uma agenda firme para o longo prazo’’, diz ele. ‘’A questão não é só o Brasil correr atrás do que deixou de fazer até agora. O avanço tecnológico pode atrasar mais o Brasil, se não houver melhora na educação, reforço da inovação. Os sinais no longo prazo não são bons”.


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