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11 de Outubro de 2016 – 03h29 horas / CNT

O custo logístico – soma dos gastos com transporte, estoque, armazenagem e serviços administrativos – consome 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, que corresponde ao total das riquezas produzidas pelo país. O índice cresceu no ano passado, frente aos 12,1% registrados em 2014, e equivale a R$ 749 bilhões. Os números são elevados e impactam na competitividade da produção brasileira. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, o custo logístico corresponde a 7,8% do PIB. Os dados são do estudo Custos Logísticos no Brasil, do Ilos (Instituto de Logística e Supply Chain).

 

A maior parte do custo é formada pelo transporte, que equivale a 6,8% do PIB (R$ 401 bilhões). Depois vêm estoque (4,5% do PIB, ou R$ 268 bilhões); armazenagem (0,9% do PIB ou R$ 53 bilhões); e administrativo (0,5% do PIB, ou R$ 27 bilhões). 

 

Conforme o sócio-diretor da entidade, Maurício Lima, a principal origem do aumento entre 2014 e 2015 foi a elevação das despesas com estoques em 0,6 ponto percentual, resultado da crise econômica. O cenário é diferente do observado em anos anteriores. Ele explica que, entre 2010 e 2014, o país viu o custo logístico aumentar porque a economia expandiu, mas a infraestrutura estava aquém do necessário. “Por exemplo, uma carga que poderia ir por ferrovia ou hidrovia, ia por rodovia, que é mais caro, porque não havia capacidade nos outros modais”, explica. Entretanto, a partir de 2014, com a queda da demanda, a pressão sobre os sistemas de transporte diminuiu, e o problema passou a ser a queda do PIB, que enfraqueceu a demanda e elevou a quantidade de produtos estocados.

 

Agora, a economia começa a dar sinais, ainda que tímidos, de recuperação. Por isso é necessário planejar e viabilizar projetos para melhorar a logística no país, a fim de evitar as dificuldades já vivenciadas. Maurício Lima destaca que o Brasil deve oferecer um ambiente seguro para investidores, porque há disponibilidade de recursos internacionais para infraestrutura. Ele analisa que os primeiros passos já foram dados, com a criação do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Mas sustenta que, agora, são necessárias ações concretas: “viabilizar formatos que deem mais segurança ao investimento, mais agilidade com as concessões e que as modalidades de concessões privilegiem mais investimento que tarifa, para ampliar capacidade.”

 

De acordo com o levantamento do Ilos, uma infraestrutura mais adequada de transporte, que permita uma proporção de modais similar ao dos Estados Unidos (onde o custo logístico é de 7,8% do PIB), viabilizaria uma redução de R$ 80 bilhões no custo com transporte. No Brasil, 65% da produção é deslocada em caminhões; 20% por trens; 12% pelo transporte aquaviário; 3% pelo dutoviário; e 0,1% pelo aéreo. Nos EUA, o rodoviário responde por 43%; o ferroviário, por 32%; o aquaviário, por 8%; o dutoviário, por 17%; e o aéreo, por 0,2%.


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