Situação financeira das indústrias brasileiras melhora, aponta CNI
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Na sondagem industrial divulgada pela Confederação Nacional da Indústria na última segunda-feira (27/1), indicadores mostram que disposição do setor para investir é a maior em seis anos

A situação financeira das indústrias brasileiras melhorou em 2019 e a disposição do setor para investir é a maior em seis anos. Os dados constam da pesquisa Sondagem Industrial divulgada na última segunda-feira (27/1) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de intenção de investimento subiu 1,1 ponto na comparação com dezembro e atingiu 59,2 pontos em janeiro.

Foi o quarto aumento consecutivo do indicador, que alcançou o maior nível desde fevereiro de 2014, segundo o economista da CNI Marcelo Azevedo. O indicador varia de zero a cem pontos. Quanto maior o índice, maior é a disposição para os investimentos.

Segundo Azevedo, sobre os dados consolidados do trimestre terminado em dezembro, um dos principais destaques é a recuperação financeira das empresas. O índice de satisfação com a margem de lucro subiu para 45,8 pontos. Está 4,1 pontos acima da média e é o maior desde o primeiro trimestre de 2011.

“Dezembro mostra uma capacidade instalada acima da do ano passado e muito acima da média dos anos anteriores”, destacou. “Estamos iniciando o ano com atividade mais forte. Historicamente, dezembro sempre cai, mas está melhor do que os últimos anos”, explicou.

A melhora na expectativa, contudo, ainda não se reflete em mais empregos industriais. “No fim de cada ano, costuma haver queda no emprego. Apesar dessa redução, no fim de 2019, ter sido mais branda, o mercado de trabalho industrial ainda não reagiu”, destacou.

A capacidade instalada da indústria nacional está 70%, ou seja, ainda há ociosidade. “A indústria nunca usa 100%, quando chega a um certo ponto, precisa investir e contratar. Mas esse ponto é diferente para cada setor. Alguns segmentos, precisam trabalhar com menos, porque o tempo de maturação é longo”, disse. No entanto, segundo o economista, com o investimento se concretizando, pode ter salto mais forte de emprego.

“A melhora na situação financeira reforça o otimismo. Tivemos a melhor satisfação desde 2012”, assinalou. Como algumas indústrias precisam ter capital próprio para investir, essa melhora financeira deve se reverter em investimentos em 2020. “As empresas precisam de saúde financeira para conseguir investir”, destacou.

De acordo com a pesquisa, todos os indicadores de expectativas estão acima dos 50 pontos. Isso mostra que os empresários esperam o crescimento da demanda, das exportações, das compras de matérias-primas e do número de empregado nos próximos seis meses.

Produção em queda

A Sondagem Industrial mostrou, ainda, que o índice de evolução da produção caiu 7,1 pontos frente a novembro e ficou em 43,8 pontos no mês passado. O indicador de evolução do número de empregados recuou 1,3 ponto em relação ao mês anterior e alcançou 48,7 pontos em dezembro. Os indicadores variam de zero a cem pontos. Quando estão abaixo de 50 pontos, mostram queda na produção e no emprego.

Entretanto, as quedas registradas em dezembro frente a novembro foram inferiores as de anos anteriores. Os dados refletem o comportamento esperado para o período, com queda da atividade industrial devido ao término das encomendas para atender às vendas de fim de ano”, de acordo com a pesquisa.

A Sondagem Industrial foi feita de 6 a 17 de janeiro com 1.965 indústrias de todo o país. Do total, 744 são pequenas, 711 são médias e 510 são de grande porte. 


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