Neurocientista Carla Tieppo apresentou dados sobre estresse, ansiedade, depressão e burnout e destacou a importância de integrar saúde, qualidade de vida e qualificação profissional
O SEST SENAT promoveu, no CONARH 2026, a palestra “A importância da saúde mental e da qualificação profissional na gestão de pessoas”. Ministrada pela neurocientista e professora Carla Tieppo, a palestra abordou dados sobre estresse, depressão, ansiedade e burnout no Brasil e discutiu como saúde, qualidade de vida e qualificação profissional podem ser trabalhadas de forma integrada.
Realizada na Arena do Conhecimento, palco principal da feira, nessa quarta-feira (19), em São Paulo, a apresentação também detalhou os serviços oferecidos pelo SEST SENAT aos trabalhadores do transporte, seus dependentes, empresas e à comunidade. A abertura foi feita pela gerente de Recursos Humanos do SEST SENAT, Daniele Martos.
Para Carla, o cenário atual exige que as empresas considerem os diferentes fatores que afetam o desempenho e o bem-estar dos trabalhadores. Ela citou tensões econômicas, políticas e sociais, além das transformações tecnológicas e da pressão por produtividade.
Segundo a neurocientista, os dados sobre saúde mental no país mostram a dimensão do problema. Entre os trabalhadores brasileiros, 67% são afetados pelo estresse no trabalho, percentual acima da média global, de 65%, conforme levantamento da ADP Research.
A palestrante também apresentou dados sobre depressão e ansiedade. No Brasil, a prevalência de depressão ao longo da vida é de 15,5%. Em relação à ansiedade, 26,8% da população apresenta algum grau de transtorno de ansiedade, segundo dados do Covitel de 2023. O percentual chega a 34,2% entre as mulheres e a 18,9% entre os homens.
Outro dado apresentado na palestra foi o de burnout. De acordo com a informação exibida, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de diagnósticos, atrás apenas do Japão. Em 2024, foram registradas 472 mil licenças, número apontado como 400% superior ao período pré-pandemia.
Ao abordar a NR-1, que estabelece disposições gerais e diretrizes para o gerenciamento de riscos ocupacionais, Carla avaliou que a aplicação das regras deve considerar a realidade das empresas e dos trabalhadores. Na avaliação da neurocientista, a implementação deve contribuir para ambientes de trabalho mais produtivos e sustentáveis, sem intensificar a pressão sobre os profissionais.
A discussão também abordou a necessidade de criar ambientes capazes de preservar a produtividade diante das pressões externas. Para Carla, as empresas precisam desenvolver uma cultura organizacional estável e fortalecer as relações sociais no trabalho.
A neurocientista ainda tratou dos efeitos das novas tecnologias sobre a forma como as pessoas trabalham e administram o próprio desempenho. Segundo ela, a inteligência artificial amplia uma dinâmica na qual os profissionais passam a cobrar cada vez mais de si mesmos.
A pressão, afirmou Carla, não está restrita às novas ferramentas de inteligência artificial. O cenário envolve também a falta de tempo, a necessidade de responder rapidamente a diferentes demandas e a disputa pela atenção em um ambiente marcado pelo excesso de informações.
“Essas condições se somam a tensões econômicas, sociais e ambientais que afetam a saúde mental. Compreender essa convergência é necessário para que as organizações possam repensar a gestão de pessoas e as condições oferecidas aos trabalhadores”, ressaltou.
Cuidado integral para quem move o Brasil
A apresentação também mostrou a atuação do SEST SENAT na oferta de serviços de saúde, qualidade de vida e desenvolvimento profissional em mais de 170 Unidades Operacionais em todo o país. Nesses espaços, são oferecidos cursos presenciais e a distância, além de serviços de odontologia, psicologia, nutrição, fisioterapia, esporte e lazer e educação em saúde.
Em 2025, a instituição registrou mais de 10 milhões de atendimentos em saúde e qualidade de vida. Entre os serviços apresentados, estão 2,29 milhões de atendimentos em odontologia, 1,32 milhão em fisioterapia, 440 mil em psicologia, 274 mil em nutrição e 88 mil em radiologia.
Na área de desenvolvimento profissional, foram mais de 10 milhões de atendimentos em qualificação. O SEST SENAT também contabilizou 751.623 matrículas em cursos presenciais e 1.021.036 em educação a distância (EAD).
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