Por Aline Maciel
Atualização tecnológica para as transportadoras deixa de ser apenas uma escolha e passa a ser uma medida para garantir competitividade e reduzir risco
O fim da tecnologia 2G está cada vez mais próximo. Embora a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) ainda não tenha anunciado oficialmente uma data para o desligamento da rede, a migração gradual das operadoras para tecnologias mais modernas já está em andamento.
Na prática, isso significa que equipamentos e sistemas que ainda dependem do 2G tendem a perder eficiência ou deixar de funcionar, impactando diretamente operações que utilizam essa rede para o rastreamento e monitoramento de veículos.
Esse cenário preocupa especialmente o transporte rodoviário de cargas, setor no qual a conectividade é fundamental para segurança. O tema foi abordado pelo executivo comercial sênior da Omnilink, Thiago Leite, durante o curso online ‘Sua frota está preparada para o fim do 2G?’, promovido pelo SETCESP em 24 de julho.
Durante a apresentação, o especialista explicou que as operadoras vêm desativando gradativamente as antenas 2G para liberar espectro às redes 4G e 5G, além de reduzir custos operacionais.
Migração deve ser planejada
Segundo Leite, essa transição silenciosa já exige atenção das transportadoras. Equipamentos antigos de rastreamento e comunicação poderão deixar de operar, comprometendo a visibilidade das operações, aumentando falhas na comunicação e elevando a vulnerabilidade a roubos de carga.
Diante desse cenário, a recomendação é que empresas que ainda utilizam dispositivos compatíveis apenas com a tecnologia 2G iniciem o processo de migração para o 4G quanto antes.
Entre as principais recomendações para este processo de mudança estão a realização de um inventário da frota para identificar os equipamentos embarcados, a definição de um plano de substituição dos dispositivos, a revisão dos processos operacionais e o treinamento das equipes para utilizar as novas tecnologias e interpretar o maior volume de dados gerados.
Tecnologia como aliada da segurança
Além de garantir continuidade operacional, a tecnologia 4G oferece ganhos significativos em desempenho e segurança. “A maior velocidade de transmissão de dados permite o uso de recursos como telemetria avançada, videotelemetria, atualizações remotas e monitoramento em tempo real, proporcionando mais informações sobre comportamento de condução, consumo de combustível, desempenho dos veículos e manutenção preventiva”, observa Leite.
Outro diferencial está na maior resistência a interferências causadas por bloqueadores de sinal, conhecidos como jammers, além da capacidade de detectar anomalias e ameaças cibernéticas.
Aliás, grupos criminosos têm explorado falhas de comunicação para executarem roubos de carga e, para reduzir esses riscos, o executivo recomenda, além do uso de tecnologias embarcadas mais modernas, o mapeamento de áreas críticas e, quando necessário, a adoção de equipamentos híbridos, que combinam comunicação via 4G e satélite.
Segundo Leite, essa combinação amplia a confiabilidade das operações, contribui para o cumprimento dos Planos de Gerenciamento de Risco (PGR) exigidos pelas seguradoras, além de agregar valor competitivo às transportadoras.
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