Como a pandemia influenciou o transporte de cargas
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Por Luis Felipe Machado*

A influência da pandemia nas nossas vidas e o novo normal devem ser os argumentos mais utilizados em qualquer conversa, seja ela empresarial ou numa roda de bar. Não há como negar o impacto dessa ebulição de novidades, mas é preciso ir um pouco mais a fundo para sairmos do roteiro tradicional e não repetirmos por osmose ou como robôs aquilo que ouvimos e vemos.

O que parecia inimaginável aos olhos comuns, mas que já teve retrato em filmes, carrega um caráter aparente de mudança comportamental e gera diversos desconfortos ao nosso ambiente comum. Entretanto expõe também características do nosso instinto e vejo a sobrevivência como o mais latente de todos. Quando levamos isso ao nosso TRC é possível entender como de fato a pandemia influenciou ou não o setor. Influenciar é ocasionar ou ser alvo de modificações. Então, indo mais ao pé da letra nessa provocação, como a pandêmica realmente modificou o TRC? Assistimos empresas quebrarem, soubemos de muitas demissões, reestruturações, aquisições, fusões, mas vimos também outras aumentando a receita, volume, investindo. Umas buscando aumento de frete, outras reduzindo, no final das contas todo mundo tentando sobreviver. O que temos de diferente nisso? Na prática somos os mesmos, com a única diferença da vivência de uma pandemia, ou seja, um fator externo agindo nos nossos negócios e no mercado nos obrigando a sobreviver. Mas já não fazíamos isso? A sobrevivência sempre foi instintiva no TRC, nos bastidores escutamos as histórias de sobrevivência, sacrifícios e dificuldades. Tivemos mais uma, e que está passando. 

Essa força da sobrevivência que sai de algum lugar e que nos diferencia deveria ser revista. Se a questão fosse sobre a nossa expectativa de como a pandemia deveria influenciar o TRC, eu teria a resposta na ponta da língua. Que tenhamos aprendido a nos valorizar mais. A greve de 2018 não conseguiu, mesmo tendo todos os pré-requisitos para isso, mas a pandemia é a ocasião perfeita para uma segunda chance.  Nossa energia de sobreviver deveria ser despendida em melhorias, rentabilidade, estabilidade, sustentabilidade.

Se você está passando pela pandemia achando que tudo vai mudar ou mudou, que somos novas pessoas, um novo mercado, um novo comportamento, não está engando, mas não pode esquecer que nada acontece por acaso, é preciso agir. Agir é realizar, é sair do modo robotizado de achar que fomos influenciados e colocar em prática. Vai querer passar aperto de novo na próxima dificuldade externa? O que você vai priorizar agora? O que fará de novo? Qual o medo que você ganhou o perdeu nessa pandemia? Se essas respostas forem vagas, realmente não há influência da pandemia em você e na sua empresa, há continuísmo do modo sobrevivência.  Podemos ir além, temos uma segunda chance acontecendo. E não demore, não deixe essa história passar sem agir. 

*Luis Felipe Machado é Coordenador do Núcleo COMJOVEM São Paulo e Sócio Diretor da Formato Transportes


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