Após avançar na inclusão, Brasil agora precisa focar no bem-estar financeiro, diz BC
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“A pessoa pega um financiamento para pagar dívida com outro banco, usa múltiplos cartões de crédito para consumo e conseguir chegar ao fim do mês, prorroga o consignado várias vezes. Isso não é o ideal”, observa o chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do Banco Central

O Brasil avançou bastante na inclusão financeira nos últimos anos. Atualmente, são 175 milhões de pessoas com acesso a conta bancária, ou 97% da população adulta. Agora, o país precisar focar mais no bem-estar financeiro, segundo o Banco Central (BC).

Durante o Fórum de Bem-Estar Financeiro, promovido pelo Sicredi, a diretora de Cidadania do BC, Izabela Moreira Correa, comentou que houve avanço expressivo na inclusão nos últimos anos, mas que falta a “última milha” do bem-estar.

O chefe do Departamento de Promoção da Cidadania Financeira do BC, Luis Mansur Siqueira, foi na mesma linha, apontando que o Brasil aproveitou a presidência do G20 para incluir esse tema nos debates internacionais.

Com o trabalho da equipe brasileira, o G20 definiu quatro pilares que constituem o bem-estar financeiro: capacidade de gerenciar o dia a dia; de resistir a choques; perseguir objetivos; e sentir satisfação e confiança.

“Foi muito importante conseguir dar acesso financeiro, mas precisamos focar na qualidade dessa inclusão, no bem-estar”, comentou Mansur.

Ele apontou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está realizando este ano um levantamento sobre bem-estar financeiro em 60 países, incluindo o Brasil, e que isso será uma importante bússola para aprimorar as políticas públicas.

“Na missão do BC consta ali a busca pelo bem-estar econômico da sociedade, e isso inclui o bem-estar financeiro do cidadão. Um sistema financeiro só é verdadeiramente resiliente se as pessoas que o utilizam são resilientes. Então o bem-estar financeiro não é só uma política social, é uma política de estabilidade financeira”.

Ele lembrou que, com o maior acesso financeiro, também surgiram desafios, como o elevado nível de endividamento da população. Pesquisas mostram que 77% das famílias estão endividadas, sendo que 45% dessas dívidas são com o sistema financeiro, e 30% da renda dessas famílias está comprometida. “A gestão do crédito passou a ser algo do dia a dia. A pessoa pega um financiamento para pagar dívida com outro banco, usa múltiplos cartões de crédito para consumo e conseguir chegar ao fim do mês, prorroga o consignado várias vezes. Isso não é o ideal”, apontou Mansur.

Correa lembrou ainda da resolução conjunta 8, que obriga as instituições financeiras a promover a educação financeira entre seus clientes, dentro da jornada normal de uso do crédito.

Por fim, Mansur apontou que o modelo corporativo de crédito tem um alinhamento natural com o tema do bem-estar financeiro, até porque seus produtos não são orientados pelo lucro.

“A proximidade com o associado também fortalece a dimensão da confiança e satisfação. Então o sistema cooperativo de crédito está bem posicionado para ser um protagonista dessa agenda, conectando o debate global com a transformação financeira real das pessoas”.

 


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