Sob a perspectiva da sustentabilidade qualquer interação desnecessária com a inteligência artificial não deveria ser realizada
Dúvidas que são esclarecidas, geração de imagens, melhorias em relatórios e resumos de reuniões. Sem dúvida a IA veio facilitar o dia a dia do mundo corporativo.
Só que tudo o que fazemos na Internet tem um impacto. Por trás de cada ação digital existe um custo ambiental oculto. Para se ter uma ideia, cerca de 1% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂) estão relacionadas ao consumo de vídeos pela internet.
Se para muitas pessoas não há nenhum gasto financeiro extra ao fazer uma pergunta em uma plataforma de chatbot ou assistir a um vídeo online, para o planeta a conta aumenta conforme a demanda. Isso porque o avanço da tecnologia exige uma infraestrutura massiva de energia e água.
Estima-se que a infraestrutura de TI e comunicações já consuma entre 5% e 9% de toda a energia elétrica do planeta.
Gerar um texto de aproximadamente 100 palavras em um sistema de IA consome, em média, 519 mililitros de água e cerca de 0,14 quilowatt-hora (kWh) de energia, quantidade suficiente para manter 14 lâmpadas LED acesas durante uma hora. Isoladamente, o consumo parece pequeno, mas, multiplicado por milhões de usuários, o impacto torna-se expressivo.
Segundo dados publicados pela National Geographic, se apenas 10% da força de trabalho dos Estados Unidos utilizasse ferramentas de IA uma vez por semana, o consumo anual de eletricidade seria equivalente ao necessário para abastecer uma cidade de 600 mil habitantes durante 20 dias.
Esse elevado consumo ocorre porque os sistemas de inteligência artificial processam quantidades gigantescas de dados em data centers que são instalações que abrigam milhares de servidores funcionando continuamente.
Os servidores consomem muita energia e geram enormes quantidades de calor à medida que efetuam os cálculos para cada resposta. Para evitar o sobreaquecimento, exigem sistemas permanentes de refrigeração, muitos deles baseados no uso intensivo de água.
As projeções indicam que essa tendência deve se intensificar e já aparecem nos indicadores das principais empresas de tecnologia. Amazon, Microsoft e Google, têm ampliado as emissões de carbono em meio ao impulso da corrida pela Inteligência Artificial.
Desde 2020, as emissões totais da Microsoft aumentaram 23,4%. No Google, a alta chegou a 73,8%, enquanto, na Amazon, foi de 33,3%. As três lideram o mercado global de nuvem, base da infraestrutura usada em IA.
Esses números não têm como objetivo criar alarde nem desencorajar o uso da inteligência artificial, mesmo porque ela também oferece benefícios importantes para diversos setores. Inclusive para iniciativas de ESG, ao permitir o processamento de grandes volumes de dados e apoiar decisões mais eficientes.
O desafio consiste em utilizar essa tecnologia de forma cada vez mais responsável. Assim como ocorre com recursos naturais como água e energia elétrica, o uso consciente da inteligência artificial também pode contribuir para reduzir impactos ambientais.
Pequenas mudanças de hábitos no dia a dia das empresas fazem diferença. Interações desnecessárias, com cumprimentos como: — Oi, boa tarde, tudo bem? Agradecimentos com obrigado ou conversas sem finalidade prática com sistemas de IA, também exigem processamento computacional e devem ser evitadas, porque geram consumo adicional de energia e água.
Ao mesmo tempo, cabe à indústria de tecnologia investir em soluções capazes de tornar os data centers mais eficientes, ampliar o uso de fontes renováveis de energia e desenvolver sistemas de refrigeração menos dependentes de água.
A inteligência artificial veio para ficar. O caminho agora é equilibrar seus benefícios com a responsabilidade ambiental, garantindo que a inovação tecnológica e a sustentabilidade estejam lado a lado.
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