Entre dados, infraestrutura e ESG: tendências de 2026 para o setor de transportes de cargas
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*Por Bárbara Opsfelder

O ano de 2026 tende a consolidar um movimento que já vem acontecendo no setor de transporte de cargas: a necessidade de garantir previsibilidade, rastreabilidade, e responsabilidade social e ambiental, além dos tradicionais prazos corretos e custos eficientes. A forma como cada companhia lidará com estes pontos impactará diretamente na competitividade de mercado.

No tabuleiro internacional, a palavra de ordem é uma operação com consistência e capacidade. Diversas empresas internacionais utilizam e vão usar cada vez mais plataformas de orquestração de ponta a ponta, com inteligência artificial aplicada à previsão de demanda, à gestão dinâmica e à recomposição de rotas diante de eventos climáticos ou situações adversas. Assim, uma das tendências de 2026 é a logística autodirigida: não porque a máquina pode substituir o homem, mas porque as decisões dos especialistas são alimentadas por sinais em tempo real e por simulações que testam cenários antes que o problema vire atraso nas entregas.

No Brasil, as exigências são as mesmas, porém, para um salto inovador em 2026, é necessária, principalmente, uma maior integração entre sistemas tecnológicos e qualidade de dados ao longo da cadeia. Assim, a tendência não é apenas ter as ferramentas inovadoras, mas saber como governá-las de forma assertiva e em conjunto.

Crescimento do setor

O mercado global de serviços de transporte foi avaliado em US$ 8,5 trilhões em 2025 e deve alcançar US$ 17,6 trilhões até 2034, segundo dados divulgados em 2025 pela OG Analysis, fornecedora de relatórios de pesquisa de mercado. Alguns fatores que explicam esta expansão são o crescimento do comércio eletrônico e a demanda crescente por opções de mobilidade flexível e ágil em um contexto de consumidores exigentes. Dessa forma, não tem como falar do segmento de transportes sem abordar a importância das inovações tecnológicas para garantir processos otimizados.

Seguirão como tendências no mercado global, o uso de algoritmo para prever demandas, fazer a gestão das entregas e a manutenção preditiva, entre outros. Isso, além do uso de Internet das Coisas (IoT) por meio de sensores que monitoram localização, temperatura, fadiga de motoristas, condições das cargas e demais aspectos relevantes. A telemetria avançada, automação regulatória, roteirização dinâmica e as plataformas digitais que consolidam diferentes ferramentas e dados também vão ganhar mais espaço neste ano.  

É importante ressaltar que mais do que uma operação de qualidade e que agrade aos consumidores, as inovações também resultam em alta segurança para os profissionais do setor de transportes que jamais ficam sozinhos durante as operações. O alto monitoramento em todas as pontas permite fluxos com menos taxas de erros e desafios.

A força do ESG

Assim como nos demais setores de mercado, o ESG também é uma tendência no segmento de transportes de cargas. De acordo com estudo da KPMG, empresa de serviços de auditoria, consultoria e assessoria tributária, divulgado em 2025, 95% dos conselhos de líderes de empresas de diversos segmentos estão identificando ativamente riscos e oportunidades relacionadas com o ESG, e 89% estão adotando ações ligadas ao ESG. A tendência é que este número cresça cada vez mais, principalmente levando em conta os atuais desafios ambientais e demandas sociais.

Abastecimento alternativo, frotas com veículos elétricos, programas de compensação de carbono e reciclagem, relatórios de compliance, ações em prol da saúde física e mental dos funcionários, metas de diversidade e parceria com ONGs, são alguns dos vários exemplos de iniciativas que deixarão de ser diferenciais e passarão a ser obrigações.

O treinamento de novos motoristas, bem como incentivos para a valorização destes profissionais e iniciativas para evitar o turnover, também são tendências, levando em conta a escassez de profissionais de cargas no Brasil. A criação de estratégias eficazes será primordial neste contexto.

Planejamento e ação

O novo período exige, portanto, que as companhias do segmento invistam em dados, infraestrutura, pessoas, meio ambiente e transparência para que não só sobrevivam, mas sejam atuais e ganhem destaque. Por isso, devem aproveitar para estudarem e criarem ações estruturadas a fim de colocarem em prática ao longo dos meses. A jornada é longa e não é fácil, mas é a forma de encontrar o sucesso.

*Bárbara Opsfelder é Diretora Comercial e de Marketing da Jamef, empresa referência em transporte no Brasil. 


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