Alta do combustível e colheita da safra puxam aumento no valor do frete
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Repasse da alta do petróleo ainda é parcial, mas volatilidade mantém defasagem em valores cobrados por caminhoneiros

O frete rodoviário aumentou cerca de 5% em março, de acordo com o Índice Frete.com de Preços, o IFP, depois de um período de queda no início do ano.

De acordo com Charles Monteux, executivo da Frete.com, os números são reflexo de uma combinação de fatores: aumento do preço do diesel, reajuste na tabela NTT de frete e safra agrícola.

Apesar de dizer que ainda é cedo para afirmar o grau de influência da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã no preço do frete, Roberto Jr, gerente de Inteligência de Negócios da Frete.com, analisa que o aumento do petróleo já impacta o óleo diesel, “mas o repasse ainda está sendo parcial e depende do time de reajuste nas bombas, da safra e do equilíbrio entre oferta e demanda”.

O preço do diesel apresentou variação significativa nas últimas semanas, com 13,9% de aumento em março segundo o IBGE. Alan Medeiros, assessor institucional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), diz que as medidas recentes do governo, como zerar o PIS/Cofins, atenuarem a situação, mas a volatilidade no preço do combustível mantém defasado o valor cobrado por caminhoneiros.

O relatório aponta concentração regional de caminhões. O Sudeste lidera com um volume de 38,68% de fretes, seguido pela região Centro-Oeste, com 26,90%, em crescimento de 61,7% em relação ao último trimestre de 2025, devido ao período de colheita da safra.

O levantamento aponta que o agronegócio brasileiro lidera o aumento do frete no país, com alta de 5,8% na comparação anual entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. A indústria vem em seguida, com alta de 4,7%, à frente da construção civil (4,3%).

O estudo alerta para o estrangulamento logístico ocasionado pela deficiência da malha rodoviária brasileira. Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística, afirma que mesmo existindo outras maneiras de transportar as cargas e produtos, esses gargalos logísticos afetam o desempenho de todo os setor de transporte. “De qualquer jeito, mesmo que você use uma ferrovia, use uma hidrovia ou até um avião, você depende do caminhão para fazer ou a primeira ou a última milha”, afirma.

Outro problema enfrentado pelo setor de transporte rodoviário é a falta de mão de obra, já que, segundo Valdivia, existem hoje mais cargas do que motoristas disponíveis no mercado. Esse fator impacta diretamente no preço do frete, provocando aumentos pela falta de oferta.

Diante desse cenário, a expetativa é que “o preço do frete não baixe tão cedo”, de acordo com o coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, Vladimir Maciel. Segundo o economista, vivemos hoje um momento de incertezas no Oriente Médio, o que interfere diretamente no preço do petróleo e, consequentemente, no preço do diesel, utilizado pelos motoristas. Espera-se que mesmo com os problemas logísticos e a falta de mão de obra que acentuam o custo Brasil, o setor continue aquecido nos próximos meses, principalmente graças às boas safras da agricultura.


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