Crise derruba vendas de pneus de carga
Compartilhe
05 de Outubro de 2015 – 05h09 horas / Investimentos e Notícias

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que representa a indústria de pneus e câmaras de ar instalada no Brasil, informa que, segundo o balanço setorial de janeiro a agosto de 2015, o volume de vendas de pneus de carga caiu -17,3% em relação ao mesmo período no ano passado. Considerando-se como medida as toneladas de pneus de carga vendidos, a queda chega a -22,4%. "É uma categoria que acompanha o PIB, o ritmo industrial e o crescimento do país, portanto a queda expressiva na venda de pneus de carga é um sintoma da crise econômica em que o país está mergulhado", destaca Alberto Mayer, Presidente da ANIP.

As exportações de pneus e as vendas para as montadoras também caíram entre janeiro e agosto de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado. O mercado de exportação retraiu -9,7% no período e as compras no setor automotivo, -19,4%, em volume de pneus. As vendas de pneus para montadoras reduziram em todas as categorias, especialmente as de carga (-46,8%), duas rodas (-19,1%) e pneus de carro de passeio (-15,6%).

Segundo Mayer, a indústria não tem benefícios com a valorização cambial, uma vez que grande parte dos insumos utilizados na produção dos pneus no Brasil é importada. "O país não é autossuficiente em borracha, por exemplo, por isso é necessário trazer de fora, e, ainda, há uma tributação excessiva sobre insumos sem similar nacional e sobre outros cuja importação é necessária, solapando a competitividade do setor e inflacionando o produto nacional", pontua o Presidente.

A necessidade de adoção de políticas que aumentem a competitividade do setor de pneus levou a ANIP a lançar, este ano, o documento Livro Branco da Indústria de Pneus, que contém propostas para alavancar o crescimento do setor, como a redução do custo logístico, desoneração do processo de logística reversa, melhor acesso a insumos essenciais para a produção de pneus, estímulos à exportação, implantação de margem de preferência para a indústria nacional nas compras públicas, entre outras. O documento está disponível no site da ANIP.

O balanço do setor de pneus entre janeiro e agosto de 2015 revela ainda que a indústria de pneus tem contribuído positivamente para a balança comercial brasileira. No período avaliado, o setor promoveu um superávit de US$ 460,78 milhões, com um saldo de 4,078 milhões de unidades de pneus (exportações menos importações). Importante ressaltar que este saldo vem caindo ao longo dos anos. Em 2005, o saldo foi de 13,9 milhões de unidades de pneus; em 2011, 11,3 milhões; e em 2014, 5,4 milhões. "Há um esforço para se aumentar a exportação de pneus, porém a concorrência global é forte e o nosso produto enfrenta restrições tributárias, logísticas e operacionais que limitam a sua competitividade no exterior. Prova disso é a redução no saldo da balança comercial, que saiu de quase 14 milhões de unidades em 2005 para 5,4 milhões em 2014. Estamos muito distantes daquele patamar, infelizmente", destaca Mayer.

Segundo o balanço da ANIP, a produção total de pneus cresceu 3,3% entre janeiro e agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando 47,65 milhões de unidades produzidas no período. Isso se deve particularmente à maior demanda por pneus de carro de passeio para abastecer o mercado de reposição, que cresceu 16,9% em relação aos primeiros oito meses de 2014.


voltar

SETCESP
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.