Transporte rodoviário de cargas enfrenta alta de custos e dificuldade de repasse em 2026
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Segundo gerente de novos negócios do Transvias, Célio Martins, os custos chegam rápido ao transportador, mas nem sempre empresa consegue repassar na mesma velocidade

O transporte rodoviário de cargas entrou em 2026 com uma conta difícil de fechar, com custos operacionais em alta e pouca margem para repassar esses aumentos ao frete em um mercado ainda cauteloso. Nesse cenário, o setor enfrentou oscilações no valor do diesel — que representa em média 35% do custo operacional das transportadoras brasileiras, segundo a NTC & Logística — e atualizações da tabela do Piso Mínimo de Frete.

Na visão do gerente de novos negócios do Transvias, Célio Martins, o problema não está apenas na alta de custos, mas na velocidade com que eles chegam ao transportador. “O transporte sente tudo muito rápido. Quando o diesel sobe, quando o crédito fica caro, quando o consumo desacelera, a transportadora sente antes de muita gente”, disse.

Segundo o executivo, o problema é que nem sempre a empresa consegue repassar esse custo na mesma velocidade e a margem é corroída aos poucos. Em comunicado, a Transvias destacou que, para os embarcadores, o risco está em tratar o frete apenas como uma linha de custo a ser comprimida.

De acordo com Martins, quando o frete fica artificialmente baixo, alguém acaba pagando essa conta. “Pode ser a transportadora, com margem negativa. Pode ser o embarcador, com atraso e perda de qualidade. Pode ser o consumidor, com preço maior lá na frente. O frete precisa ser negociado com inteligência, não apenas pelo menor valor”, analisou.

CONSULTA DE FRETE
Em comunicado, a Transvias apontou que é nesse contexto que dados e planejamento ganham relevância. A empresa acompanha a movimentação de consultas de frete em diferentes regiões e perfis de carga, o que permite observar mudanças de comportamento antes de elas aparecerem nos indicadores oficiais.

“Na nossa base, conseguimos perceber quando um setor começa a reduzir consulta, quando uma região perde força ou quando aumenta a busca por alternativas de frete. Esse tipo de leitura ajuda embarcadores e transportadoras a tomarem decisões melhores”, explicou o executivo.

O Transvias registrou um aumento de 21,95% no volume total de consultas de frete em comparação ao ano anterior. Segundo a empresa, o crescimento indica que, diante da alta de custos, os embarcadores estão intensificando a cotação e a busca por novos parceiros para otimizar orçamentos.

Os dados da plataforma mostram que o setor de e-commerce e Bens de Consumo lidera a alta na procura por transporte, com avanço de 12%. Em contrapartida, o setor de Construção Civil apresentou a maior retração, com queda de 8% nas consultas por fretes de grande volume e cargas pesadas.

A companha ainda destacou uma mudança clara de comportamento: a busca por carga fracionada e redespacho cresceu 18% nos últimos meses. Segundo a empresa, isso sinaliza que as empresas estão evitando estocar grandes volumes e preferindo envios menores e mais frequentes para preservar o fluxo de caixa.

TRANSPORTADORAS EM 2026
Para 2026, a tendência é de um mercado mais seletivo. De acordo com a Transvias, as transportadoras terão de controlar melhor os custos, escolher operações mais saudáveis e evitar fretes que não cobrem a estrutura mínima da operação.

Embarcadores, por sua vez, precisarão entender que eficiência logística não depende apenas de preço, mas de previsibilidade, parceria e planejamento. “O transporte rodoviário é um dos primeiros setores a sentir a economia real. Se ele está pressionado, é sinal de que a cadeia inteira precisa prestar atenção”, complementou Martins.


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