Setor de logística registra 168 mil novas empresas em 2026 e ultrapassa 1,5 milhão de CNPJs
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Dados da EmpresAqui revelaram que MEIs lideraram a abertura de novos negócios; serviços de malote e operações de entrega rápida estão entre os principais segmentos

O setor de logística brasileiro registrou a abertura de mais de 168 mil empresas no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 62% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são de um levantamento realizado pela EmpresAqui.

De acordo com o estudo, o país soma mais de 1,5 milhão de negócios ativos no segmento —apesar de uma parcela desse número ainda estar em fase de estruturação operacional. Nesse cenário, cerca de 70% das empresas ativas no setor têm menos de quatro anos de vida e, desse valor, o maior grupo é formado por negócios com um ano de existência (404,9 mil), seguido pelas empresas que possuem de cinco a 10 anos (274,89 mil).

Para a EmpresAqui, essa estrutura etária reforça a leitura de um setor com indício de baixa maturidade média, entrada constante de novos operadores e alta capacidade de renovação da base.

SERVIÇOS DE MALOTES E OUTROS SEGMENTOS
A pesquisa considerou dados de empresas formalizadas entre 1º de janeiro e 14 de março de 2024, 2025 e 2026. Nesse contexto, quatro segmentos se destacaram pela recorrência entre os principais CNAEs utilizados pelas empresas recém-abertas nesse ano: serviços de malote não realizados pelo correio nacional, transporte rodoviário de carga municipal, serviços de entrega rápida e transporte de carga intermunicipal, interestadual e internacional.

Em relação ao crescimento dos segmentos, o transporte de carga municipal liderou as aberturas com 26,4 novos CNPJs no período analisado em 2024. Porém, o serviço de malotes liderou nos dois anos seguintes e cresceu 194% no volume de novas empresas abertas.

Segundo a pesquisa, o crescimento do segmento está relacionado com uma transformação mais ampla da logística brasileira. Entre os fatores que ajudam a interpretar essa alta está a lacuna operacional deixada pelos Correios — que enfrenta dificuldades financeiras, com prejuízo de R$ 2,6 bilhões em 2024. A expansão do e-commerce e a maior maturidade tecnológica de pequenos operadores também impactaram na alta de volume do CNAE de malote.

MAIS DE 70% DAS EMPRESAS SÃO MEI
Grande parte do avanço registrado pelo setor de logística no Brasil é puxado pelos microempreendedores individuais (MEIs). De acordo com o levantamento, cerca de 74% das empresas logísticas ativas no Brasil se enquadram nessa categoria.

Esse percentual chega a 96% entre os negócios abertos em 2026. O domínio do MEI indica um setor altamente pulverizado, com baixa barreira de entrada operacional e grande presença de operadores individuais ou negócios muito pequenos.

Além disso, mais de 1,3 milhão de empresas são optantes pelo Simples Nacional, representando 85,2% do setor. Por outro lado, apenas 3,4% dos CNPJs analisados estão inseridos em regimes mais complexos, como Lucro Presumido e Lucro Real.

Segundo a pesquisa, a estrutura tributária revela um setor dominado por empresas de pequeno porte, com baixa complexidade societária e fiscal, além de registrar uma barreira de entrada operacional.

QUEM ABRE EMPRESAS DE LOGÍSTICA NO BRASIL?
O estudo da EmpresAqui também detalhou o perfil de quem está abrindo empresas na logística brasileira. Na base total ativa, a faixa etária predominante dos sócios está entre 31 e 60 anos, representando cerca de 70% do total.

No entanto, há uma mudança nesse padrão. Empreendedores de 21 a 50 anos dominaram a abertura de novos negócios em 2026. Para se ter uma ideia, sócios de 31 a 40 anos foram responsáveis pela abertura de mais de 1,9 mil empresas nos primeiros três meses do ano.

Do ponto de vista geográfico, o estado de São Paulo liderou com mais de 53 mil empresas abertas apenas no primeiro trimestre de 2026 e cerca de 34% do total de negócios ativos no segmento. Por outro lado, Minas Gerais liderou no crescimento relativo com uma alta de 239% em comparação com 2024.

Conforme o exposto pelo levantamento, o Sudeste continua sendo o principal eixo do mercado em estoque e em abertura, mas o crescimento relativo mostra aceleração importante em estados fora do núcleo histórico de maior densidade econômica.

MORTE DOS NOVOS NEGÓCIOS
No entanto, na mesma medida em que as empresas nascem, uma grande parcela delas não consegue se manter na ativa por muito tempo. Cerca de 41% dos negócios abertos em 2024 já encerraram as atividades, enquanto em 2025 esse índice foi de 35%.

Em comparação, dados do IBGE indicam que 79,6% das empresas empregadoras criadas em 2022 permaneceram ativas após o primeiro ano, o que equivale a uma taxa de mortalidade de 20,4% já no início da operação.

Dessa forma, os números indicam que o segmento de logística possui uma taxa de mortalidade empresarial superior aos benchmarks nacionais, especialmente em comparação com empresas mais maduras.


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