NR-1 entra em vigor com lacuna nas empresas e expõe custo crescente dos riscos psicossociais
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Sem diagnóstico estruturado, organizações acumulam afastamentos por transtornos mentais, que já superam meio milhão de casos por ano no Brasil

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir formalmente a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, entra em vigor em 26 de maio de 2025 em um cenário de baixa preparação das empresas brasileiras. Na prática, grande parte das organizações ainda não estruturou diagnósticos adequados para atender à exigência.

O contexto é pressionado por um avanço consistente dos afastamentos por saúde mental. Dados do INSS mostram que o Brasil registrou cerca de 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, um aumento de 68% em relação a 2023.

Em 2025, o cenário se agravou: o país ultrapassou a marca de 530 mil afastamentos no ano, estabelecendo um novo recorde histórico.

Os transtornos mentais já representam uma parcela relevante das licenças médicas no país. Em 2025, responderam por cerca de 13,6% de todos os auxílios-doença concedidos pelo INSS.

Apesar disso, a maioria das empresas ainda não possui inventário formal de riscos psicossociais, etapa essencial para prevenção.

Na prática, o impacto vai além dos afastamentos. Cada licença dura, em média, três meses, com pagamento aproximado de R$ 1,9 mil mensais pelo INSS, o que ajuda a explicar o custo superior a R$ 3 bilhões anuais apenas em benefícios previdenciários.

O que muda com a nova NR-1

A principal mudança trazida pela atualização da norma é a obrigatoriedade de incluir os riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ao lado dos riscos físicos, químicos e biológicos.

Segundo o médico do trabalho e especialista em saúde ocupacional, Dr. Fernando Akio Mariya, Advisor da Dr. Ocupacional, a exigência vai além da formalidade. “A NR-1 exige que as empresas passem a medir fatores como carga mental, pressão por resultados, relações de trabalho e organização das atividades. Não é mais possível tratar saúde mental como um tema subjetivo ou secundário”, afirma.

Um dos principais equívocos na adaptação à norma é tratar a exigência como uma etapa documental. “Muitas empresas ainda acreditam que basta incluir o tema no PGR ou aplicar uma pesquisa genérica. Mas a norma exige diagnóstico estruturado, com metodologia reconhecida e capacidade de gerar plano de ação”, explica Mariya.

Segundo ele, a ausência desse diagnóstico compromete toda a gestão de saúde ocupacional. “Sem dados, a empresa só reage quando o problema já virou afastamento, e aí o custo já aconteceu.”

Além do impacto direto, há efeitos indiretos relevantes: aumento do absenteísmo, presenteísmo, queda de produtividade e pressão sobre lideranças e equipes.

O que as empresas deveriam ter feito

A adaptação à NR-1 deveria ter começado antes da entrada em vigor da norma, com a realização de um diagnóstico estruturado e a incorporação dos riscos psicossociais ao PGR. “Empresas que se anteciparam já têm dados, indicadores e planos de ação em andamento. Quem não começou agora precisa estruturar isso com rapidez para evitar passivos trabalhistas e prejuízos operacionais”, afirma Mariya.

Para organizações que ainda não iniciaram o processo, o primeiro passo é estruturar o mapeamento dos riscos psicossociais com base em metodologias reconhecidas internacionalmente.

A Dr. Ocupacional atua nesse processo ao oferecer soluções que simplificam a gestão de SST e realizam o mapeamento psicossocial com base em ferramentas científicas, conforme estabelecido pelo manual do governo.

“A escolha da ferramenta faz diferença. Metodologias estruturadas permitem transformar percepção em dado e dado em ação prática”, diz Mariya.

Para o Dr. Fernando Akio Mariya, a entrada em vigor da NR-1 marca uma mudança estrutural na forma como as empresas precisam lidar com saúde ocupacional. “Não se trata apenas de evitar multa. Estamos falando de custo, produtividade e sustentabilidade do negócio. Empresas que não estruturarem essa gestão vão continuar pagando a conta em afastamentos, rotatividade e perda de desempenho”, conclui.


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