Copom eleva taxa Selic para 3,5% e sinaliza nova alta
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BC planeja manter ‘algum estímulo’ ao longo do processo de recuperação econômica

O Banco Central (BC) elevou ontem a taxa básica de juros de 2,75% para 3,5% ao ano e disse que “antevê” nova alta de 0,75 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Além disso, afirmou que “neste momento” considera apropriada uma normalização parcial da Selic. Ou seja: planeja manter “algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica”. Mesmo assim, não se comprometeu com nenhum dos dois cenários traçados, afirmando que as decisões dependerão de como a conjuntura evoluir.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica”, disse no comunicado divulgado após a decisão, tomada de maneira unânime.

Entretanto, o colegiado enfatizou que “não há compromisso com essa posição”. “Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, disse.

“Para a próxima reunião, o comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude”, disse, referindo-se à elevação de 0,75 ponto percentual. Mas “essa visão” dependerá da evolução de atividade econômica, balanço de riscos e projeções e expectativas de inflação.

No comunicado, o Copom reiterou que considera os choques inflacionários atuais “temporários”, mas também reforçou que “segue atento” à evolução deles. “Com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais”, disse, destacando ainda que a mudança na bandeira tarifária “deve manter a inflação pressionada no curto prazo”.

Desde a reunião de ontem, o horizonte que o colegiado mira para conduzir a taxa básica de juros inclui apenas 2022, cuja meta de inflação é de 3,5%, excluindo 2021 do cálculo.

No cenário básico apresentado, a projeção aponta para inflação no ano que vem de 3,4% – praticamente em linha com a meta. Esse cenário pressupõe a Selic extraída da pesquisa Focus, terminando 2021 em 5,5% ao ano e 2022, em 6,25% ao ano. Já o câmbio começa em R$ 5,40, o valor médio dos cinco dias úteis da semana anterior à reunião, e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC).

Na reunião anterior, o cenário básico mostrava a inflação exatamente em 3,5%. Mas, de um lado, o câmbio estava mais pressionado (R$ 5,70) e, do outro, a Selic ficava em patamares menores (terminando 2021 em 4,5% e 2022, em 5,5% ao ano). Já a projeção para a inflação dos preços administrados passou de 4,4% para 5%.

Em relação à atividade econômica no Brasil, o Copom considera que indicadores recentes mostraram “uma evolução mais positiva do que o esperado, apesar da intensidade da segunda onda da pandemia estar maior do que o antecipado”. Daqui para frente, a incerteza sobre o ritmo da retomada “ainda permanece acima da usual, mas aos poucos deve ir retornando à normalidade”.

Já as medidas de inflação subjacente, mais sensíveis a política monetária e atividade econômica, estão “no topo do intervalo compatível com o cumprimento da meta”. Até a reunião anterior, elas estavam “acima” desse intervalo, segundo o BC.

Sobre o cenário externo, “questionamentos dos mercados a respeito de riscos inflacionários” nas economias desenvolvidas “podem tornar o ambiente desafiador para países emergentes”, embora o Banco Central tenha retirado trecho presente no comunicado anterior que afirmava que esses riscos “têm produzido uma reprecificação nos ativos financeiros”.

Por sua vez, o balanço de riscos para a inflação continua com fatores atuando nos dois sentidos, mas o “risco fiscal” segue criando uma assimetria altista. Ou seja: há mais chances de a trajetória de inflação ficar acima do projetado do que abaixo.

A autoridade monetária ainda destacou que, “sem prejuízo de seu objetivo fundamental de estabilização de preços”, vem cumprindo o objetivo secundário estabelecido na lei que formalizou a sua autonomia: minimizar flutuações na atividade econômica e fomentar o pleno emprego.

O Comitê de Política Monetária realiza a sua próxima reunião nos dias 15 e 16 de junho.


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