Durante encontro realizado nesta quinta-feira (26), as participantes foram incentivadas a fortalecer o combate à violência contra a mulher e a seguir avançando na conquista de espaço e reconhecimento profissional
Mobilizadas e unidas, as mulheres vêm ampliando sua presença no transporte rodoviário de cargas, historicamente visto como masculino, mas que hoje apresenta novos contornos. Esse fato ficou evidente na tarde do dia 26, na sede do SETCESP, quando executivas e profissionais do setor atenderam ao chamado para o 5º Encontro do Vez & Voz.
No evento, a idealizadora do movimento e presidente executiva do SETCESP, Ana Jarrouge, destacou o aumento da violência contra a mulher no país e reforçou o papel das empresas nesse enfrentamento, já que, muitas vezes, vítimas e agressores estão no ambiente de trabalho.
Camila Florencio, coordenadora do movimento Vez & Voz, apresentou um histórico de evolução do movimento ao longo de cinco anos. Em sua fala, destacou que 2026 tem sido um marco importante, com mulheres ocupando, pela primeira vez, espaços que jamais haviam alcançado. Inclusive, no ano passado elas se tornaram a maioria no transporte rodoviário de cargas.
Ela reforçou que a equidade de gênero deve ser encarada pelas empresas como uma estratégia de negócio que gera resultados. “Organizações que prezam pela equidade têm 21% mais chances de aumentar o lucro e registram 58% a mais de engajamento. Equidade não é marketing, é negócio”.
A coordenadora apresentou os resultados do Índice de Equidade do TRC que, em 2026, alcançou 46 pontos em uma escala de 0 a 100, que avalia o nível de adoção de políticas de equidade de gênero pelas empresas do setor.
Na sequência, Gislaine Zorzin, vice-coordenadora do movimento e diretora administrativa na Zorzin Transporte, apresentou como a Inteligência Artificial contribui para a produtividade nas empresas. “Não substitui pessoas, mas sim funções. A IA não é sobre tecnologia, é sobre poder”.
Combate à violência contra a mulher
Após isso, teve início o primeiro painel, intitulado ‘Não podemos nos calar’ que trouxe uma reflexão sobre a violência de gênero no país.
Sérgio Povoa, também vice-coordenador do Vez & Voz e head de Gente da Jamef Transportes, mediou o painel. “O assunto é incômodo, mas não vai deixar de existir se não falarmos sobre ele. No Brasil, a cada 4 minutos uma mulher sofre agressão física”, alertou.
Durante o debate, Raquel Galinatti, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, apontou que o silêncio em torno da violência de gênero é reflexo de uma hipocrisia social, que muitas vezes julga o comportamento da vítima para validar o crime. “Precisamos de leis que punam de verdade”, defendeu.
A fundadora do projeto Bastê, Thais Santesi, destacou que a vergonha ainda é um fator que impede muitas mulheres de denunciarem relações abusivas. “O agressor não se apresenta como tal. Ele surge como alguém incrível e, aos poucos, passa a condicionar essa mulher num ciclo de agressão e recompensa”, explicou.
Encerrando o painel, a psicóloga e especialista em neurociência, Valeria Gonçalves, chamou atenção para os impactos da violência doméstica na saúde mental feminina. Segundo ela, mulheres nessa situação estão mais suscetíveis ao adoecimento, e hoje representam 65% dos afastamentos no trabalho por transtornos mentais no país.
Vozes que inspiram
No painel seguinte, o público teve a oportunidade de conhecer histórias de mulheres que vêm conquistando espaço no setor de transporte e inspiram outras profissionais a avançar também.
A mediação foi conduzida por Isabella Marques, vice-coordenadora do Vez & Voz e gerente de comunicação da FETCEMG, que trouxe provocações relevantes e direcionou o debate com reflexões sobre protagonismo feminino e ocupação de espaços de liderança.
Entre as convidadas, Rafaela Cozar, presidente do SINDICAMP, compartilhou os desafios enfrentados no início de sua trajetória no setor. Ela destacou que nunca se imaginou à frente de uma entidade, mas reforçou a importância da presença feminina em cargos de decisão.
Na mesma linha, Roberta Caldas, presidente da Transpocred, incentivou as mulheres a se posicionarem diante das oportunidades. “Precisamos estar preparadas. Temos uma força que nos permite conciliar os diversos desafios que surgem ao longo do caminho”, afirmou.
Já Marina Lima, CEO do Grupo Terra Nova Logística, relembrou sua reação ao assumir a diretoria de Transporte Aduaneiro no SETCESP. “Quando somos desafiadas, muitas vezes pensamos: ‘isso não é para mim’. Mas por que não seria, se somos tão competentes quanto?”, questionou, destacando que esse foi exatamente seu primeiro pensamento ao receber o convite.
“Fazer parte dessa comissão me impulsionou a evoluir e a buscar novos projetos, diferentes do que eu estava acostumada. Sair da zona de conforto faz parte do crescimento. É muito inspirador ouvir histórias de mulheres com trajetórias semelhantes à minha, que também escolheram avançar. Saio deste encontro com o coração transbordando de alegria.”
O Encontro Vez & Voz 2026 conta com o incentivo da ABTLP – Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos, Ademicon Consórcio e Investimento – Unidade Faria Lima e Vega Seguros, além do apoio de empresas do setor Lourenço Transportes, Pelog, Transportes Borelli, Log10, Coopercarga e Setrans.
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