Hub de conteúdo da feira recebeu, no dia 17, especialista do IPTC e integrantes da Comissão de Sustentabilidade do SETCESP
A tarde de 17 de setembro foi marcada por debates sobre eficiência logística, responsabilidade compartilhada e sustentabilidade nos hubs de conteúdo da INTRA-LOG Expo South America.
O SETCESP participou da programação da feira com dois painéis que abordaram desafios presentes na operação logística e as práticas de ESG na geração de valor.
Eficiência também depende do que acontece no recebimento
O primeiro painel foi conduzido pelo IPTC, que destacou que a eficiência do transporte não depende apenas do que acontece nas estradas, mas também das práticas adotadas nos pontos de recebimento.
Raquel Serini, economista e coordenadora de projetos do IPTC, apresentou dados que evidenciam um descompasso entre a infraestrutura disponível para o recebimento e os processos adotados pelas empresas recebedoras.
“É comum o motorista chegar e encontrar notas que não batem ou falta de comunicação entre o embarcador e o recebedor, o que acaba dificultando e prolongando a descarga”, explicou.
Segundo os dados apresentados, o tempo médio de descarga chegou a 5h09 no ano passado, um aumento de 59 minutos em relação ao período anterior. O impacto também é financeiro: o aumento do tempo de espera representou uma elevação de 26% nos custos relacionados à hora parada, que, em 2025, chegou a R$ 586,62.
O diretor de Abastecimento e Distribuição do SETCESP e diretor da Renascer Express, Marinaldo Reis, destacou que, embora os transportadores muitas vezes cumpram rigorosamente suas agendas, imprevistos e dificuldades no recebimento podem impedir que o veículo retorne à base no prazo planejado.
Nesses casos, ele reforçou a importância de prever contratualmente a cobrança da Taxa de Dificuldade de Entrega. “Precisamos precificar esse tipo de ineficiência, porque isso é custo na veia do transportador”, afirmou.
Os painelistas ressaltaram ser necessário ampliar o olhar sobre a operação e considerar todo o percurso do caminhão depois que ele chega ao destino: espera, fila, acesso à doca, conferência, descarga até a liberação do veículo.
Nesse contexto, a eficiência passa a ser uma responsabilidade compartilhada entre todos os elos da cadeia logística.
“A responsabilidade é de todos os envolvidos. O transportador precisa chegar no horário e manter a frota em boas condições, mas o recebedor também precisa cumprir seus horários e garantir equipe para descarga, triagem e bom fluxo de conferência dos documentos”, observou Serini.
Sustentabilidade como vetor de eficiência e competitividade
Na sequência, o debate foi dedicado à sustentabilidade e à agenda ESG. Mediado por Silmara Balhes, vice-coordenadora da Comissão de Sustentabilidade do SETCESP, o painel discutiu como as práticas ambientais, sociais e de governança vêm sendo incorporadas aos processos das empresas.
Participaram da conversa Erick Tosin, vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade do SETCESP e gerente de Qualidade da Pizzattolog; Samantha Honório, coordenadora de Sustentabilidade da Ativa Logística; e Fabiano Almeida, responsável pelo Comitê de Governança da JWM.
Almeida destacou que a sustentabilidade vem deixando de ser uma agenda paralela para fazer parte da própria forma de operar das empresas. “Olhar para a governança significa analisar processos de forma contínua e buscar oportunidades de melhoria”, afirmou.
Complementando o pensamento de Almeida, a coordenadora de Sustentabilidade da Ativa Logística citou como exemplo a criação de uma oficina interna para restauração de pallets. A iniciativa que foi ideia de colaborador contribuiu para a economia de recursos e para a melhoria dos processos. “São as pessoas que melhoram os processos, porque elas identificam oportunidades”, compartilhou Honório.
Tosin, por sua vez, reforçou a necessidade de as empresas ampliarem sua visão estratégica sobre sustentabilidade e seus impactos no negócio. “Não existe planeta B. As redes colaborativas de sustentabilidade precisam fazer algo agora pensando no futuro”, afirmou.
Para ele, quando a sustentabilidade passa a ser analisada também sob a perspectiva da governança, deixa de ser apenas uma obrigação ou compromisso institucional e contribui para a eficiência e a geração de valor.
Ao final do painel, Balhes questionou os participantes sobre os indicadores capazes de demonstrar o valor gerado pelas práticas de ESG. Entre os exemplos discutidos estiveram descarbonização, turnover, diversidade e retorno sobre o investimento (ROI).
Os debates reforçaram que eficiência operacional e sustentabilidade são temas cada vez mais conectados à competitividade do setor, exigindo das empresas uma visão integrada dos processos, das pessoas e dos impactos gerados ao longo da cadeia logística.
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