Às vésperas do dia 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma boa notícia surge para a equidade de gênero no setor: pela primeira vez, o número de profissionais mulheres no TRC supera o de homens
Quem atua no transporte já deve ter ouvido falar que esse é um setor bastante masculino. Costumava ser. Agora, já não é mais. Um levantamento realizado pelo IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas) com os dados do Caged mostra que o número de mulheres em 2025 era de 24.639 profissionais, e o de homens 22.088.
Essa foi a primeira vez que o número de mulheres superou o de homens no setor. Nos últimos anos, a presença feminina vinha registrando um crescimento gradativo.
Em 2023, eram 16.194 mulheres atuando no setor. Em 2024, esse número subiu para 18.976. Já em 2025, o salto foi significativo com um crescimento próximo de 30% em apenas um ano.
Para Ana Jarrouge, presidente executiva do SETCESP e idealizadora do Movimento Vez & Voz, os números representam mais do que estatísticas: são o reflexo de uma mobilização que vem sendo construída ao longo dos últimos anos.
“Quando vi esses números, confesso que até me emocionei, porque estamos trabalhando essa pauta no setor há anos”. Segundo ela, o avanço é resultado de um trabalho contínuo. “É um esforço árduo, consistente e muitas vezes pouco valorizado. Ainda assim, os dados falam por si: as mulheres estão cada vez mais presentes, atuantes e contribuindo para transformar o setor.”
Ao apresentar o levantamento, o instituto também observou que a redução do vínculo formal de trabalho entre motoristas de caminhão — função que ainda permanece majoritariamente masculina — contribuiu para essa inversão na proporção entre os gêneros. Atualmente, o setor de transporte também enfrenta uma escassez de profissionais nessa função.
Mesmo com esse contexto, o avanço feminino no setor é evidente. A presença das mulheres cresce em diferentes áreas do transporte rodoviário de cargas (TRC), e 2025 passa a ser lembrado como o ano em que essa transformação se tornou visível nos números.
Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, afirma que a ampliação da presença feminina também contribuiu para enfrentar desafios estruturais do setor.
“O transporte vive hoje uma escassez de motoristas, e as mulheres podem ocupar esse espaço com grande competência”, afirma. Ele destaca que, de modo geral, as profissionais demonstram elevado nível de dedicação, preparo e cuidado na execução das atividades, além de registrarem menor envolvimento em acidentes.
Jarrouge compartilha da mesma avaliação. “Elas são comprometidas e responsáveis, especialmente na função de motorista, que exige atenção constante para a atividade ser exercida com segurança. As mulheres estão mostrando competência e resultados, razão pela qual as empresas têm investido cada vez mais na contratação delas”, ressalta.
Criado pelo SETCESP há cinco anos, o movimento Vez & Voz tem como objetivo incentivar e ampliar a participação feminina no TRC. “Avançar nessa agenda e observar o crescimento da presença das mulheres no setor traz a sensação de que estamos no caminho certo e colhendo excelentes resultados”, avalia Rodrigues.
Jarrouge acrescenta que o Movimento continuará atuando não apenas para ampliar a presença feminina, mas também para valorizar e estimular o desenvolvimento profissional das mulheres que já atuam no setor.
“Trabalhamos continuamente para orientar as empresas de transporte a planejar e preparar melhor o ambiente de trabalho a fim de receber e reter essas profissionais. Seguiremos firmes nesse propósito e esperamos contar com cada vez mais empresas signatárias nessa jornada”, conclui.
Para saber mais sobre o Movimento Vez e Voz, acesse https://www.vezevoz.org/ .
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