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15 de Setembro de 2015 – 04h56 horas / Automotive Business

Uma nova política industrial que oriente e sustente o futuro da indústria brasileira automotiva deverá ser desenhada a partir do funcionamento efetivo de seis pilares essenciais para o setor: eficiência energética, rastreabilidade, inspeção veicular, reciclagem, carro conectado e segurança & infoentretenimento, define Paulo Cardamone, diretor da Bright Consulting, no painel Inovar-Auto e a política industrial para o setor, durante o Workshop Os Desafios da Legislação Automotiva 2016, realizado na segunda-feira, 14, por Automotive Business.

Os dados mostram que se aplicados conforme a necessidade e implementados da forma mais adequada, tais medidas seriam capazes de gerar faturamento equivalente a US$ 32 bilhões, e cujos investimentos demandariam algo como US$ 12,5 bilhões. A economia calculada ficaria em torno de US$ 38 bilhões, além da geração de cerca de 93 mil empregos.

Em sua apresentação, Cardamone chama a atenção para o fato de que as projeções de vendas de veículos para o futuro próximo no Brasil não podem mais ser tratadas como uma previsão, mas devem ser construídas a partir de uma visão de contexto. Ele elenca os seis pilares que devem fazer parte da agenda de uma nova política industrial, algo como a continuação do Inovar-Auto para o médio e longo prazo a ser desenvolvida de forma ordenada. No Brasil, sabe-se da velocidade quase letárgica para pôr em prática soluções inovadoras acerca de tecnologia a fim de melhorar produtos e toda a sua cadeia. A boa notícia é que parte dos pilares apontados por ele não são novidades no contexto global atual – não terá que se reinventar a roda, mas será preciso remoldá-la.

“A rastreabilidade só faz sentido como instrumento de política intrassetorial. O sistema de aferição de conteúdo local não aumenta por si só a competitividade, mas rastrear compras totais locais não permite decisões sobre a cadeia de fornecedores. Além disso, deveria fomentar o processo de consolidação dos tiers 2 e 3, além de que o sistema atual perde o sentido em 2017 em função da OMC”, alega.

Seus dados mostram que um modelo ideal de aplicação para a rastreabilidade deve gerar melhorias significativas para elevar a competitividade, isto a partir da governança de itens como a geração de caixa, produtividade, gestão tributária e financeira, entre outros. Por consequência, tiers 2 e 3 também entrariam no hall competitivo. Em suma, o estudo aponta para um impacto de US$ 10 bilhões de faturamento e US$ 2 bilhões em investimento e como resultado, uma economia de US$ 15 bilhões.

Para eficiência energética, ele aponta que seriam necessários controles sobre compliance das montadoras em 2017, ajustes no programa de etiquetagem, definição dos novos targets para 2020 e 2025 para veículos leves e utilitários, além de revisão da tributação dos veículos incorporando emissões e melhor definição da matriz energética. Adequando-se a estas necessidades, o consultor calcula faturamento equivalente a US$ 2 bilhões, além de US$ 7 bilhões em economias, com investimento de US$ 500 milhões.

Já para a inspeção veicular, a primeira medida é regulamentar o que falta para sair do papel. “A implementação da inspeção veicular é uma obrigação do governo, tem de ser avaliada como beneficio à sociedade e não como um penalidade para a minoria. Ela impacta mobilidade, segurança e infraestrutura e vai evitar mais de 20 mil mortes por ano. Deve-se também aproveitar a futura utilização de ‘obd’ e telemetria na inspeção veicular”, aponta. Os cálculos apontam para investimentos de US$ 5 bilhões com faturamento de US$ 2 bilhões e uma economia de US$ 10 bilhões.

A respeito de reciclagem, Cardamone lembra da Lei nº 12.305, de 2010, que institui a política nacional de resíduos sólidos (logística reversa), mas que não contempla veículos. Há aspectos críticos que, segundo ele, deverão ser considerados para a legislação de reciclagem de veículos, como a independência dos participantes para evitar a criação de mercados de interesse, as diretrizes que possam assegurar instalações e processos adequados de desmontagem dos veículos, metas específicas para os níveis de reciclagem a serem atingidos por veículo, que ele acredita, deveria ser de 85%, e uma rigorosa legislação relacionada à venda de peças usadas. Tais medidas trazem à tona o seguinte cálculo: um investimento de US$ 3 bilhões, aliado a um faturamento de US$ 8 bilhões, além da geração de 10 mil de empregos e uma economia de US$ 6 bilhões.

Por fim, questões relacionadas ao carro conectado e direção autônoma, que ditará as tendências do futuro, e a inserção cada vez maior de tecnologias que contemplem segurança e infoentretenimento aliadas a um modelo de cidades adaptadas a estas novas realidades, com infraestrutura inteligente. “Falta para o setor em si reafirmar sua intenção estratégica. O governo não tem a menor capacidade de fazer isso, a função dele é regular. Cabe a indústria trabalhar em conjunto e levar para o órgão regulador um material pronto a fim de acelerar a velocidade de acontecimento das coisas”, finaliza.


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