Inflação acumulada em 2015 é de 7,66%
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01 de Outubro de 2015 – 04h20 horas / Estadão Conteúdo

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) acelerou para 0,42% em setembro ante 0,22% em agosto, informou nesta quinta-feira (1º), a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na terceira quadrissemana de setembro, o IPC-S havia ficado em 0,35%. O indicador acumula altas de 7,66% no ano e de 9,65% em 12 meses.

O IPC-S de outubro ficou dentro do intervalo das estimativas apuradas pelo AE Projeções, que iam de 0,40% a 0,62%. A mediana era de 0,44%.

Das oito classes de despesas analisadas, cinco registraram acréscimo em suas taxas de variação de preços na passagem da terceira para a quarta quadrissemana de janeiro: Educação, Leitura e Recreação (0,05% para 0,33%), Alimentação (0,23% para 0,32%), Habitação (0,50% para 0,55%), Transportes (0,22% para 0,32%) e Vestuário (0,56% para 0,68%).

No sentido contrário, registraram decréscimo os grupos Saúde e Cuidados Pessoais (0,66% para 0,56%), Despesas Diversas (0,19% para 0,14%) e Comunicação (0,29% para 0,22%).

Projeção maior

A alta do dólar chegou ao orçamento das famílias ao primeiro minuto de quarta-feira, 30, com o reajuste pela Petrobras do preço da gasolina e do óleo diesel nas refinarias. O repasse para o consumidor foi imediato. Logo pela manhã, os motoristas tiveram de pagar de R$ 0,17 a R$ 0,20 a mais pelo litro da gasolina. O aumento era o empurrão que faltava para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar acima de 10% este ano e voltar à casa dos dois dígitos pela primeira vez desde dezembro de 2002 (12,53%).

"Com o aumento da gasolina, finalmente podemos dizer que o repasse do dólar começou de fato a ser repassado para a inflação", afirmou o economista da PUC-RJ e membro do Conselho do IBGE, Luiz Roberto Cunha. Para ele, antes não era possível perceber claramente a contaminação da economia pelo câmbio mesmo em produtos com matéria-prima importada, como nos segmentos de limpeza e higiene.

Luiz Roberto trabalha, agora, com estimativa de inflação na casa dos 10% até o fim do ano, muito acima do teto da meta fixada do governo para o IPCA, de 6,5%. Em relatório distribuído aos clientes, o banco Credit Suisse já revisou para cima suas projeções, de 9,5% para 10%.

O economista lembra que o diesel é usado em toda a cadeia produtiva, como no transporte rodoviário de cargas, que afeta a inflação de alimentos. Pelas contas da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), o aumento no diesel de 4% vai deixar o transporte rodoviário de cargas de 0 46% a 1,41% mais caro. O impacto deve ser maior no frete de longa distância, de 2.400 km, que deve registrar alta de 1,38%.

Já o economista da FGV André Braz diz que a retração da economia pode adiar um pouco o impacto do reajuste na gasolina sobre a cadeia produtiva. "Com a redução na demanda, o efeito vai se espalhar pelo tempo. Mas, em algum momento, isso se transforma em repasse", admitiu. Em sua opinião, há chances de o IPCA fechar o ano acima de 10%, mas não é certo que isso aconteça por causa da recessão.

O aumento sazonal de preços do etanol no quarto trimestre do ano tende a ser mais intenso em 2015, segundo o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e sócio da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho. O etanol é o concorrente direto da gasolina nos postos de combustíveis, e qualquer mudança de preço na gasolina provoca impacto na cotação do biocombustível.

Nas refinarias, o litro da gasolina ficou R$ 0,09 mais caro desde ontem, segundo estimativa do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).


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