Cultura organizacional trava avanço da IA nas empresas, aponta pesquisa
Compartilhe

Levantamento com 339 lideranças no Brasil indica que 70% das dificuldades enfrentadas na adoção da inteligência artificial estão associadas à falta de estratégia das chefias e de habilidades entre as equipes

A maioria ou 80% das empresas no Brasil já utilizam alguma aplicação ligada à inteligência artificial (IA), mas os desafios da adoção não são poucos. Cerca de 70% dos gargalos concentram-se na cultura organizacional, habilidades críticas das equipes e na capacidade de direcionamento das chefias, enquanto 30% das dificuldades estão relacionadas a as aspectos de tecnologia, dados e governança.

A conclusão é da pesquisa “Panorama de sentimento das lideranças 2026”, realizada pela Newnew, da área de educação corporativa. O levantamento, adiantado para o Valor, foi feito em outubro e novembro de 2025, com 339 executivos em cadeiras de decisão. Do total, a maioria pertence a empresas de serviços (44%) e tecnologia (30%) e comanda departamentos de operações (25%), inovação (17%), pessoas e cultura (15%).

“A discussão [sobre a IA] saiu do campo da adoção e entrou no campo da gestão”, analisa Mariana Achutti, CEO da Newnew. “O que emerge da pesquisa é que o desafio não está mais em decidir se a IA deve ou não ser usada, mas como estruturar a governança, métricas e habilidades humanas para que ela gere valor e não amplifique fragilidades [operacionais].”

Achutti diz que um dos recortes que mais chama a atenção no mapeamento é o que compara a alta adesão à IA com a “baixa clareza estratégica” sobre o tema. “Oitenta por cento das empresas utilizam a IA.

Mas quando olhamos para o estágio da governança, 53% dizem que estão entre o ‘inexistente e o embrionário’”, aponta. “Isso indica que a adoção avançou mais rápido do que a construção de diretrizes e critérios de decisão.”

Produtividade em risco
Quando questionadas sobre os fatores que mais pressionam seu trabalho hoje, as lideranças apontam a saúde mental em primeiro lugar (41%), seguida da produtividade que não acompanha a aceleração das demandas (31%) e o “gap” de talentos (28%). A dificuldade de implementar novas tecnologias, como a IA, aparece atrás desses fatores com 22%.

Diante do resultado do estudo, a sugestão da executiva para as diretorias é estruturar a governança de IA como uma prioridade estratégica.

“Quando mais da metade das empresas [53%] relata que ainda está num estágio inicial [de governança], o risco não é tecnológico, mas reputacional e decisório”, conclui. Depois, deve-se investir no desenvolvimento de habilidades nas equipes, como pensamento crítico, gestão de mudanças, capacidade de interpretar e mensurar resultados da IA, enumera.

“Em seguida, precisam tratar a saúde mental e cognitiva como um tema de produtividade e qualidade de decisão, e não apenas como uma pauta de bem-estar”, recomenda. “O próximo salto [em direção à IA] não é digital; é humano e passa por desenvolver capacidade de decisão e responsabilidade coletiva.”


voltar

SETCESP
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.