
Na manhã de ontem (25), aconteceu na sede do SETCESP, a 17ª Conferência de Tarifas, evento que tradicionalmente apresenta em São Paulo, as discussões ocorridas durante o CONET (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), promovido pela NTC&Logística, realizado este ano em Foz do Iguaçu/PR.
“O ambiente é hostil, e sabemos que é difícil bater na porta do cliente para pedir reajuste quando, na verdade, sabemos que ele quer que baixemos o frete. Mas é preciso. Como entidade, trazemos a vocês informações técnicas e dicas para terem um bom relacionamento com o cliente”, falou Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, abrindo as discussões.
Ana Jarrouge, presidente executiva da entidade, fez um resumo do que esteve na pauta do CONET. Reforçou a importância de acompanhar ano a ano os índices de reajuste da inflação no setor para não haver aumento da defasagem do frete que, conforme foi divulgado no Conselho, está em 13%. “Precisamos dar esse passo e aplicar aquilo que a gente aprende para o bem e perenidade das empresas”, disse.
Depois, Lauro Valdívia, engenheiro e assessor técnico da NTC&Logística, mostrou o comportamento dos índices de mercado em 2024. Ele falou dos principais custos do setor, sendo: o veículo, a mão de obra e o combustível. Para o assessor, a partir do estudo, foi possível perceber que a inflação do setor tem acompanhado a inflação geral do país.
Hora parada
E por falar em custo no transporte, o painel seguinte abordou como a hora parada onera o frete. Luís Felipe, sócio diretor da Formato Transportes e secretário geral do SETCESP foi o mediador das discussões, que teve a participação de Paulo Tirapelli, gerente geral de projetos da JSL Transportes; Roberto Antônio Palhares, diretor Administrativo da ANR Transportes e Raquel Serini, economista e coordenadora de projetos do IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas).
“Uma frase que se dizia antigamente por muitos transportadores era: se der um retorno financeiro que pague o caminhão, está bom. Isso é completamente inaceitável, não dá para ser assim! Tem que pagar os custos e ainda ter lucratividade”, afirmou Luís de forma categórica.
“Se o destinatário não conseguiu se organizar para receber a carga, ele não pode passar para o transportador essa improdutividade”, alertou Paulo. “Às vezes penso, o caminhão deveria pagar IPTU e não IPVA, de tanto tempo que chega a demorar uma operação de recebimento”, falou Roberto em crítica à desordem que existe nos grandes recebedores, e que faz com que motoristas esperem horas para conseguir descarregar a carga.
“Recomendo que todos vocês estejam munidos de informações que sirvam de argumentos para defender o custo da operação. Importante que cada item seja considerado ao precificar o frete, inclusive a hora parada”, indicou a economista.
Cibersegurança
Após uma breve pausa para o café, o público retornou para ouvir uma palestra com o delegado da divisão de Inteligência Policial (DIPOL/PCSP), Carlos Afonso, sobre o panorama dos crimes cibernéticos no país.
“Nossa cultura precisa mudar. Quantos usuários utilizam a mesma senha para tudo? Quantas vezes você está em um lugar público e busca por um Wifi aberto? Ou clica em um link enviado por quem você nem sabe que enviou, certo? São estas fragilidades que nos deixam mais vulneráveis”, alertou o delegado, falando sobre como se prevenir de um crime digital.
Na sequência, iniciou o painel ‘Protegendo sua Empresa e seus Dados’, com a mediação de Iltenir Junior, diretor da Orion X e a participação de Carlos Afonso mais: Gustavo Aleixo, diretor de Tecnologia da JSL Transportes; Luiz Fernando Scheliga, CIO na Braspress Transportes Urgentes; Marcelo Dias de Oliveira, CEO da Diaslog e Ricardo Sampaio, CISO (Chief Information Security Officer) e head da Gantech.
Iltenir advertiu que, durante a pandemia, o mercado se digitalizou, só que é preciso maiores investimentos em sistemas de segurança que acompanhem essa expansão.
Complementando o ponto de vista de Iltenir, o diretor da JSL Transportes falou que, assim como uma casa tem portas, portões, muros e cercas, desta mesma forma precisa ser a rede de uma empresa, com a segurança reforçada.
Tanto a Braspress Transportes Urgentes quanto a Diaslog sofreram ciberataques e cada um dos executivos contaram como as transportadoras reagiram a este processo.
“Chamou a atenção o nível da dependência que temos em tecnologia”, compartilhou Luiz. A empresa que opera no Brasil e Mercosul levou quatro dias para voltar a operar normalmente. Já na DiasLog, a espera para a retomada das operações foi de uma semana, conforme contou Marcelo.
“Segurança digital é uma tríade: pessoas, processos e tecnologia. O alvo mais atacado pelos criminosos são as pessoas. Importante que haja sempre uma conscientização dos usuários do que não fazer para manter uma robustez de segurança”, aconselhou Ricardo.
“Em caso de ataques hackers, o pagamento do resgate do sistema nunca pode ser uma opção considerada pela vítima”, advertiu, por fim, o executivo da Gantech.
Novidade: Durante o evento, foi divulgado que SETCESP está lançando uma Comissão de Pequenas Empresas e Microempresas, fique atento para participar!
Anote na agenda: Não perca, dia 13 de março, às 9h, assista pela TV SETCESP no YouTube, a live que apresentará as novas regulamentações no Transporte de Produtos Perigosos.
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