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19 de Junho de 2015 – 05h10 horas / Agência O Globo

A economia brasileira teve contração de 0,84% em abril, nos cálculos do Banco Central, divulgados nesta quinta-feira. O resultado foi bem pior que a expectativa dos economistas do mercado financeiro, que previam retração de 0,4% no mês, medida pelo IBC-Br, o índice de crescimento do país feito pela autoridade monetária. A certeza de um recuo da economia em abril veio após a surpresa negativa de vários dados econômicos.

Na terça-feira, o IBGE divulgou que o comércio registrou uma queda nas vendas de 0,4% em abril. Foi o terceiro mês seguido de baixa, o que contrariou as estimativas dos analistas que achavam que o desempenho do varejo ficaria no campo positivo. Na contramão das apostas, o setor registrou o pior resultado para o período desde 2001.

O desempenho da indústria também influenciou o IBC-Br. A produção caiu 1,2% de março para abril, segundo o IBGE. Sete dos dez setores pesquisados diminuíram as vendas. E há uma perspectiva de piora por causa da expectativa de aumento do desemprego e do pessimismo do consumidor.

DIFERENÇAS NA METODOLOGIA

Tanto o IBC-Br quanto o Produto Interno Bruto (PIB) são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia. O IBC-Br foi criado pelo Banco Central para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do PIB é divulgado pelo IBGE com defasagem.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

O IBC-Br não pode ser considerado uma prévia do PIB porque o dado oficial é muito mais complexo. É o que os economistas chamam de proxy, uma aproximação. As divergências com o número do IBGE refletem-se nos números. O número costumava a ter resultados próximos ao dado oficial, mas tem apresentado resultados descolados por causa das diferenças metodológicas.

Economistas apontam, no entanto, que o IBC-Br indica a tendência da atividade econômica, o que ajuda a dar uma avaliação geral do PIB.


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