Rota da Acessibilidade debate inovação para ampliar inclusão no transporte
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Encontro Nacional reúne especialistas, empresas e governo para discutir tecnologia, acessibilidade e inclusão profissional de pessoas com deficiência

 

A 3ª edição do Rota da Acessibilidade reuniu, nesta quinta-feira (1º), na sede do Sistema Transporte, em Brasília, representantes do setor, do governo federal e especialistas para discutir como a inteligência artificial, a tecnologia assistiva, as adaptações e as parcerias podem tornar mais acessíveis os processos seletivos, a formação profissional, os ambientes de trabalho e as operações do transporte.

Na abertura do evento, a diretora executiva nacional do SEST SENAT, Nicole Goulart, afirmou que a acessibilidade precisa estar integrada às práticas das organizações e não pode se restringir a eventos ou ao cumprimento de exigências legais.

“A acessibilidade não pode ser uma iniciativa isolada, não pode acontecer só em eventos como esse e não tem que se limitar a uma obrigação legal. A acessibilidade precisa estar presente nos ambientes, na comunicação, na tecnologia e nas oportunidades de trabalho”, afirmou.

Desde a criação do programa, o SEST SENAT realizou 160 turmas de formação profissional para pessoas com deficiência, com mais de 3,5 mil matrículas e mais de 2 mil pessoas formadas. Por meio do banco de talentos e de parcerias com empresas do setor, mais de 500 pessoas já foram encaminhadas para oportunidades de contratação.

Em seguida, o diretor executivo do ITL, João Victor Mendes, destacou que a inclusão exige continuidade, método e compromisso institucional.

“Para avançarmos nessa agenda, precisamos formar lideranças capazes de compreender que a acessibilidade não depende de uma ou outra iniciativa isolada. Ela é resultado da integração entre pessoas, sistemas e ações”, afirmou.

A diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, ressaltou que a discussão sobre inclusão no transporte precisa considerar toda a jornada das pessoas, desde o acesso aos sistemas de mobilidade até as condições para chegar ao trabalho e permanecer nele.

“A inovação que buscamos vai além de operar a tecnologia. Por vezes é comunicar diferente, entender o que a pessoa precisa, entender as necessidades da pessoa com deficiência e se inclinar à resolução”, afirmou.

Representando o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Rodrigues Nascimento, destacou a necessidade de qualificar os profissionais do transporte. Segundo ela, equipamentos e estruturas acessíveis não são suficientes quando os trabalhadores não estão preparados para utilizá-los ou prestar atendimento adequado às pessoas com deficiência.

A mesa de abertura foi encerrada com a assinatura de um ACT (Acordo de Cooperação Técnica) entre o SEST SENAT e a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. O documento foi assinado por Nicole Goulart e pela presidente da Federação, Cleunice Bohn.

A parceria prevê a cooperação entre as instituições em ações relacionadas à acessibilidade, à qualificação profissional, à inclusão produtiva e à criação de novas oportunidades para pessoas com síndrome de Down no setor de transporte.

A programação do 3º Encontro Nacional do Rota da Acessibilidade contou com quatro painéis sobre temas como inovação e remoção de barreiras; mobilidade, tecnologia e inclusão na operação do transporte; tecnologia assistiva e autonomia no trabalho; e inteligência artificial aplicada a processos mais inclusivos.

O público também participou de oficinas de Libras, atividades em espaço sensorial, vivências guiadas e ações relacionadas a recursos de autonomia e mobilidade e massoterapia.

A experiência das empresas

Os resultados das empresas que participam do Rota da Acessibilidade também foram apresentados durante o encontro. O gerente de sustentabilidade da Localiza, Fernando Vilela, destacou a iniciativa de capacitação em Libras, que está no segundo ano e teve rápida adesão dos colaboradores.

Segundo Fernando, a formação já produziu resultados no atendimento aos clientes. Em setembro de 2026, um cliente com deficiência auditiva foi atendido em uma agência da empresa por um colaborador que havia participado do curso.

“Graças à capacitação do SEST SENAT, conseguimos atender e entregar um bom produto para o cliente, que ficou supersatisfeito”, afirmou.

A Localiza e o SEST SENAT também desenvolvem o programa Incentiva, voltado ao desenvolvimento de carreira de profissionais com deficiência, com foco na progressão de assistentes para funções de analistas. Segundo o gerente, a expectativa é apresentar os resultados da iniciativa nas próximas edições do encontro.

A Águia Branca também apresentou resultados de ações desenvolvidas em parceria com o Rota da Acessibilidade. Segundo a gerente de Recursos Humanos da empresa, Fernanda Peroba, a companhia conta atualmente com cerca de 117 profissionais com deficiência.

O auxiliar administrativo da Águia Branca João Paulo Tommasi, que é uma pessoa com deficiência, participa dessas iniciativas como promotor de eventos e atua nas ações desenvolvidas em parceria com o SEST SENAT. Para ele, a participação no Rota da Acessibilidade representou uma nova experiência profissional, ao proporcionar sua primeira viagem a trabalho para fora de Cariacica (ES).


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