Evento reuniu especialistas para discutir as transformações do frete
A tradicional Conferência de Tarifas do SETCESP chegou à sua 20ª edição reunindo, mais uma vez, especialistas e representantes do setor para discutir os principais desafios relacionados ao transporte rodoviário de cargas.
Realizado na manhã do dia 29, na sede da entidade, o evento trouxe para a pauta temas como formação de custos do frete, legislação e saúde financeira das empresas, além de repercutir assuntos debatidos no CONET.
Na abertura, Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, destacou as discussões sobre tarifas realizadas durante a mais recente edição do CONET (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Custos, Tarifas e Mercado), realizada em 31 de agosto, em Ouro Preto (MG).
“Esperamos ter notícias boas de nossos especialistas aqui hoje, mas precisamos encarar a realidade, e o que assistimos no momento é um aumento considerável dos combustíveis”, afirmou Rodrigues.
Em seguida, a presidente executiva da entidade, Ana Jarrouge, apresentou um resumo do que foi discutido no CONET. Entre os destaques, estiveram a conquista da Lei do Seguro, o índice de confiança dos empresários e a escalada do preço do diesel.
Custos e mercado
O primeiro painel contou com uma palestra da coordenadora de projetos do IPTC (Instituto Paulista do Transporte de Cargas), Raquel Serini, que informou que a defasagem do frete está em 10,5%.
“Transportar está mais caro, mas isso não significa que o preço do frete acompanhou o aumento. O que ocorre é que as margens das empresas estão mais pressionadas”, avisou ela.
Segundo uma pesquisa apresentada pela coordenadora, o prazo médio de recebimento das empresas é de 44 dias. O levantamento aponta ainda que mais de 70% das empresas recebem os valores referentes aos fretes com atraso, comprometendo, em média, 7,7% da receita.
“É preciso entender que prazo tem custo. Quando o transportador absorve esse impacto, é do caixa da empresa dele que esse recurso está saindo”, disse a especialista.
Regulamentações
O painel seguinte contou com a participação da assessora jurídica da NTC&Logística, Gil Menezes, que analisou temas como piso mínimo do frete, CIOT, MDF-e e fiscalização.
De acordo com ela, embora a obrigatoriedade do CIOT ainda seja objeto de discussão em ações judiciais, a exigência está prevista em lei e deve ser cumprida. “As transportadoras precisam emitir o documento antes de qualquer operação de transporte”, alertou.
Menezes esclareceu as únicas situações para as quais o CIOT está desobrigado. São nos casos de: quando feito por pessoa física, veículo não homologado, autotransporte, transporte internacional e transporte de carga própria.
Mercado e saúde financeira
O último painel foi dedicado à sustentabilidade empresarial, com foco nos desafios relacionados ao equilíbrio financeiro dos negócios.
Participaram do debate Marcos Pelozato, diretor estratégico de Recuperação Judicial da Emasfi Group; Vander Batista, CEO da LOG10 Express e diretor de Pequenas Empresas do SETCESP; e Diogo Inoue, CEO da Conecta Cargo. A mediação ficou a cargo de Roberto Mira Jr., conselheiro da Mira Transportes e vice-presidente do SETCESP.
Durante o painel, Pelozato destacou a importância de as empresas diversificarem sua carteira de clientes como estratégia para reduzir riscos. A avaliação foi compartilhada por Inoue, que ressaltou a necessidade de estabelecer limites nas relações comerciais. “Precisamos aprender a dizer não para alguns clientes”, considerou.
Mira Jr. e Batista, por sua vez, trouxeram para o debate desafios enfrentados na gestão de suas próprias empresas e compartilharam as estratégias adotadas para preservar a saúde financeira dos negócios.
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