Nota de alerta sobre o preço e o abastecimento de diesel
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São Paulo, 30 de setembro de 2026

O SETCESP manifesta preocupação com a renovada pressão sobre o preço do diesel e com a segurança do abastecimento brasileiro diante dos conflitos internacionais. A volatilidade do petróleo, as condições de importação e o debate sobre o aumento da mistura de biodiesel exigem decisões transparentes e planejamento, pois seus efeitos alcançam o transporte de cargas e toda a população.

Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, o mercado sofreu fortes oscilações. Na série da EIA, o Brent à vista passou de US$ 77,24 por barril em 2 de março para US$ 138,21 em 7 de abril, recuou a US$ 68,53 em 2 de julho e voltou a US$ 114,89 em 22 de setembro. Esse último valor supera em 48,7% o registrado em 2 de março. Os gráficos a seguir mostram a alta, a retração e a retomada da pressão.

Na bomba, o levantamento da ANP registra diesel S10 a R$ 6,15 por litro na semana de 1º a 7 de março e a R$ 7,33 na semana de 20 a 26 de setembro, aumento de 19,2%. Em relação ao fim de fevereiro, quando custava R$ 6,09, a alta chega a 20,4%. O preço atual está abaixo do pico semanal de R$ 7,58 observado no início de abril, mas voltou a subir após a queda dos meses anteriores.

Esse impacto já se reflete no piso mínimo de frete. A ANTT reajustou seus coeficientes pela Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, publicada em 29 de setembro e vigente desde 30 de setembro, adotando o diesel S10 a R$ 7,33 por litro como referência. A atualização reforça nosso alerta: a pressão do combustível já alcança os custos do transporte. Transportadores e contratantes devem observar os novos pisos nas operações abrangidas pela norma.

O governo anunciou a manutenção da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel. Nesse contexto, preocupa-nos o risco de que pressões de custo ainda não refletidas integralmente nos preços se traduzam em reajustes concentrados após as eleições, sobretudo se houver redução do apoio público ou agravamento do mercado internacional. Não há, nos dados aqui reunidos, comprovação de represamento por motivação eleitoral. O SETCESP cobra clareza sobre os critérios de preços, a duração das medidas e as condições de sua eventual retirada.

Somam-se a esse cenário as propostas dos produtores para ampliar o uso de biodiesel além do B15, mistura obrigatória atualmente em vigor. A Lei do Combustível do Futuro permite ao CNPE fixar teores até B25, mas condiciona percentuais obrigatórios superiores a 15% à comprovação de viabilidade técnica. Defendemos que qualquer avanço venha acompanhado de testes conclusivos, avaliação do custo por quilômetro, compatibilidade dos motores e garantias de qualidade. O efeito sobre o preço dependerá dos custos relativos dos componentes; uma mistura maior não implica, por si só, aumento na bomba.

Nossa maior preocupação é a continuidade do fornecimento. Estima-se que cerca de 30% do diesel consumido no Brasil dependa de importações, o que amplia a exposição a restrições comerciais, danos a refinarias e interrupções de rotas marítimas. Embora o governo informe oferta confirmada para outubro, é necessário preservar esse abastecimento e preparar os meses seguintes, com diversificação de fornecedores e acompanhamento dos estoques.

Alertamos os transportadores para que acompanhem seus custos, confirmem a regularidade das entregas e negociem a atualização dos contratos conforme os impactos efetivos. Altas persistentes do diesel pressionam os fretes e tendem a chegar aos preços dos alimentos, dos medicamentos e dos demais produtos. A população precisa ser informada: proteger o abastecimento e dar previsibilidade ao combustível é essencial para conter perdas econômicas e preservar o poder de compra.

Marcelo Rodrigues
Presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP

Evolução do petróleo e do diesel


As séries têm unidades e frequências diferentes. O Brent é preço do petróleo à vista em dólares; a ANP mede o diesel com biodiesel no varejo em reais. Câmbio, refino, frete, tributos, subvenções e margens também influenciam o preço final. A comparação não demonstra, isoladamente, represamento de preços.

Comparativos e fontes

Valores selecionados das séries representadas nos gráficos

Método e data de corte

Consulta em 30/09/2026. EIA: todas as observações diárias disponíveis de 27/02 a 22/09/2026, na publicação de 23/09. ANP: 31 médias nacionais semanais oficiais, de 22/02–28/02 a 20/09–26/09, extraídas da aba BRASIL. Os pontos da ANP estão posicionados no último dia da semana. Não foram preenchidas lacunas nem projetados valores. Variações calculadas por (preço final ÷ preço inicial − 1) × 100. Valores nominais.

Atualização de mercado em 30/09: a Reuters informou Brent futuro a US$ 103,16 por barril durante a sessão. É uma cotação intradiária de contrato futuro, diferente do Brent à vista da EIA, e não foi incorporada à curva histórica.

 

Fontes
EIA — Europe Brent Spot Price FOB, série diária
ANP — Levantamento de Preços, planilhas semanais de 2026
MJSP — medidas de preços e abastecimento, 28/09, atualizado em 29/09/2026
ANP — Regras para usos voluntários de biodiesel, B15 vigente
Lei nº 14.993/2024, art. 33 — competência do CNPE e viabilidade técnica
Agência Estado/UOL — posição da APROBIO sobre uso acima do B15, 18/09/2026
Folha — importações e restrições comerciais, 23/09/2026; estimativa de cerca de 30%
Reuters — Oil gains as stalled US-Iran talks trump supply recovery, 30/09/2026
ANTT — Portaria SUROC nº 22, de 28/09/2026, arts. 1º a 3º e tabelas atualizadas
SETCESP — publicação em 29/09 e vigência em 30/09/2026 dos novos pisos
 

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