Cresce número de empresas com políticas formais de IA
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Levantamento aponta que organizações com diretrizes para uso da tecnologia registram maior engajamento

O número de empresas com políticas formais de inteligência artificial passou de 42% em 2025 para 62% em 2026, segundo o Top Employers Institute. O levantamento foi baseado em 2.358 entrevistas pelo mundo. Todos os respondentes possuem o selo Top Employer, que reconhece companhias com boas práticas de gestão.

Ainda no último ano, a implantação responsável de IA subiu de 48% para 68%. O avanço vem acompanhado de resultados mensuráveis, com as organizações que adotam políticas formais registrando 46% de engajamento dos funcionários de RH em IA ética, ante 25% entre as que não dispõem da estrutura.

A diferença de resultados entre quem possui e quem não possui diretrizes formais se repete em outros indicadores. Empresas com políticas formais alcançam 51% do que foi chamado de “colaboração humano-IA”, contra 23% das que não têm regulamentação. Em iniciativas de prontidão e resiliência à mudança, o índice é de 76% ante 59%.

Para Emily Cook, pesquisadora à frente do levantamento e psicóloga organizacional do Top Employers, a maturidade para o uso da tecnologia se tornou um diferencial competitivo. Segundo ela, políticas formais permitem que os sistemas se expandam com maior confiança. Cook acrescenta que as companhias que definem princípios e limites partem em vantagem na ampliação do uso da IA. “O framework deve garantir que todas as tecnologias de IA adotadas sejam utilizadas de forma transparente, compreensível e equitativa”, elabora.

No recorte brasileiro, Raphael Henrique, gerente do Top Employers para América Latina, descreve um mercado em estágio ativo de construção. O país destaca-se pela experimentação, com 32% das empresas em fase de piloto em práticas de IA responsável, frente a 23% globalmente. O Brasil também se sobressai pelo foco na produtividade, já que 39% das companhias enfatizam o potencial da IA para ampliar a capacidade da força de trabalho, contra 27% no mundo.

De acordo com Henrique, a integração das práticas ao conjunto das operações precisa avançar, assim como o desenvolvimento de liderança para a era agêntica. O gerente também defende tratar a governança de IA como prática de gestão, e não como simples resposta a uma exigência externa. Segundo ele, “políticas formais para IA bem construídas atraem talentos, fortalecem a confiança de clientes e parceiros e reduzem risco reputacional”.

O especialista acrescenta que, no país, cresce uma postura de monitoramento, que trata a IA não apenas como ferramenta de eficiência, mas como responsabilidade de gestão, com análise contínua dos seus efeitos sobre as pessoas. Para ele, esse acompanhamento se traduz em melhores escolhas. “As organizações que investirem nessa capacidade de avaliação vão tomar decisões sobre IA com muito mais segurança e legitimidade”, afirma.

Na prática, ele recomenda que as diretrizes incluam critérios claros de supervisão humana, a criação de canais de diálogo com os funcionários e capacitação das lideranças. “Líderes bem preparados para a era agêntica são o que transforma políticas formais em resultado”, diz. Em contraste, na experiência da psicóloga organizacional, a atuação dos gestores é dificultada pela insegurança. “Os líderes não se sentem suficientemente preparados em termos de competências digitais para conduzir essas conversas”, observa.


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