Boletim de Conjuntura Econômica de junho destaca corte da Selic, alívio na tensão sobre os combustíveis e desafios para o cenário econômico
O setor de transporte voltou a crescer em abril, segundo dados da PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) analisados pela CNT. Após recuar 1,6% em março, a atividade avançou 0,9% no mês seguinte, impulsionada principalmente pelo transporte aéreo e pelos serviços de armazenagem e atividades auxiliares aos transportes. Os dados integram a edição de junho do Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, divulgado nesta sexta-feira (19), que reúne os principais indicadores com impacto sobre o transporte brasileiro.
Apesar das oscilações mensais, o transporte segue operando em patamar superior ao observado antes da pandemia. O volume de serviços do setor permanece 19,2% acima do nível registrado em fevereiro de 2020, evidenciando a expansão acumulada ao longo dos últimos anos. No transporte de cargas, o nível de atividade está 35,8% acima do período pré-pandemia, enquanto o transporte de passageiros opera 4,7% acima daquele marco.
Outro ponto de atenção para o transporte é o comportamento dos preços. Em maio, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,72%, voltando a superar o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Ainda assim, o grupo Transportes registrou queda de 0,46% no mês, influenciado principalmente pelo recuo dos combustíveis.
O óleo diesel, principal insumo do transporte rodoviário de cargas, apresentou redução de 2,34% em maio após as fortes altas observadas nos meses anteriores. Embora o movimento represente um alívio para os custos operacionais das empresas, o combustível ainda acumula elevação de 14,51% nos últimos 12 meses.
A publicação destaca ainda que a produção nacional de petróleo alcançou nível recorde em março de 2026, com aproximadamente 131,7 milhões de barris produzidos no mês, crescimento de 17,0% na comparação anual. Para o transporte, a ampliação da produção nacional é um fator relevante para o abastecimento energético e para o acompanhamento dos custos relacionados aos combustíveis.
Redução da Selic e avanço do PIB
No campo monetário, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano em 17 de junho, promovendo o terceiro corte consecutivo dos juros básicos. “Para o setor transportador, o corte gradual da taxa Selic tende a favorecer o acesso ao crédito e reduzir os custos financeiros relacionados ao capital de giro e aos investimentos em renovação e ampliação de frota. No entanto, reduções nas próximas reuniões do Copom dependerão do comportamento da inflação”, destaca a gerente de economia, Fernanda Schwantes.
Em relação à atividade econômica, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o trimestre anterior, alcançando R$ 3,25 trilhões, e registrou crescimento de 1,8% frente ao mesmo período de 2025. O setor de transporte, armazenagem e correio apresentou retração de 0,7% na comparação trimestral, mas manteve crescimento de 0,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado.
O Boletim também destaca que o consumo das famílias continuou sendo o principal componente da demanda, enquanto os investimentos recuaram 1,4% no período. Em contrapartida, as exportações cresceram 7,4%, contribuindo para sustentar a atividade econômica no início do ano.
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