Oscilações afetam planejamento de entrega, definição de rotas, negociações com transportadoras e organização de estoque
Rever contratos, ajustar prazos e buscar mais eficiência são algumas medidas que as empresas brasileiras precisam adotar, com relativa urgência, para equilibrar suas operações de transporte de mercadorias em razão da retomada de alta mais consistente no preço do frete rodoviário. A avaliação é de Vinicios Fernandes, diretor da Edenred Repom, que oferece soluções digitais para o transporte rodoviário de cargas. Dados levantados pela Edenred, segundo o executivo, mostram que o frete passou por oscilações no segundo semestre do ano passado, com momentos de queda, voltando a subir em fins de 2025 e começo de 2026. Em janeiro, chegou a R$ 7,67.
“A média anual de 2025 (R$ 7,28) também foi maior do que a registrada em 2024 (R$ 6,36), mostrando que o setor vem operando com níveis de custos mais altos”, diz Fernandes. “Isso mexe com planejamento de entrega, definição de rotas, negociação com transportadoras e organização de estoque”, salienta.
O atual cenário da logística e do transporte de cargas no país explica bem esse encarecimento acelerado do frete e as consequentes pressões no custo logístico. Como a maior parte das cargas no Brasil é transportada por rodovias (pelo menos 63% de toda a movimentação), qualquer mudança no valor do frete tem impacto direto em toda a cadeia de suprimentos, da indústria ao varejo. “Enfrentamos desafios significativos relacionados à infraestrutura, como baixa qualidade das vias e riscos à segurança, fatores que impactam a formação dos preços”, explica Flávia Almeida, diretora de clientes e CFO interina da Strada, plataforma digital voltada ao pagamento de frete rodoviário. Segundo ela, com a supersafra de grãos estimada em 354 milhões de toneladas, a disputa por caminhões aumentou, elevando os preços nas rotas de exportação. O custo do frete em Mato Grosso (MT), por exemplo, com destino ao porto de Santos (SP), principal rota de exportação de grãos do país, registrou aumento de 10% neste ano, em comparação com 2025.
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Além das más condições das estradas, acentua Almeida, o frete ficou mais caro devido a vários fatores: Selic elevada, aumento do ICMS no diesel (R$ 1,17/litro), reajuste da tabela da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), acima de 3%, e início da reforma tributária com o Imposto sobre Valor Agregado (IVA), sem falar da instabilidade geopolítica no mundo, que afeta o preço do diesel. “A demanda por entregas rápidas de compras on-line e eletrônicos também aumenta a pressão sobre preços e por ativos mais eficientes”, diz a executiva.
Para Fernandes, o diesel pesa bastante na estrutura das transportadoras, por estar diretamente ligado ao dia a dia da operação. “A redução das alíquotas do PIS e Cofins (32 centavos), decretada pelo governo federal em março e a subvenção sobre o diesel pela Petrobras (32 centavos) podem ajudar a aliviar um pouco a pressão que o setor vem sentindo com o combustível”, explica o diretor da Edenred. “Mas é importante ressaltar que as tensões no Oriente Médio continuam. Então, os efeitos do mercado internacional podem continuar influenciando o preço do diesel para cima. É um momento muito difícil de prever o comportamento do diesel devido às incertezas”, afirma o executivo.
“O transportador sente o custo, que, por sua vez, repassa ao embarcador; este fica com margens mais reduzidas e é levado a buscar maior eficiência operacional de seu sistema logístico”, acrescenta Almeida, da Strada.
A estratégia das plataformas digitais de pagamento, nesse cenário, é oferecer aos clientes soluções que possam trazer maior controle e eficiência para organizar seus processos logísticos rodoviários. Com 35 mil clientes e mais de 1 milhão de caminhoneiros conectados, a Edenred atua com as marcas Ticket Log, Repom, PagBem e Taggy, que focam na redução de custos e emissões de gases de efeito estufa. “A companhia também está se modernizando ao oferecer soluções para veículos elétricos, conectando ao aplicativo mais de 800 pontos de carregamento públicos e semipúblicos”, diz Fernandes. “Isso facilita o controle do consumo de energia, do tempo de recarga e dos custos por quilômetro”, acrescenta.
Criada em 2022, tendo como acionistas as gigantes do agronegócio Ammagi, Cargil, ADM, LDC e a Datablog, a Strada alcançou um movimento de 100 milhões de toneladas de carga em 2024. A empresa trabalha com dois principais produtos: o BID Strada, alternativa estratégica para melhorar a negociação de preços, e o Strada Tag, para gestão de pedágios, integrada às principais operadoras do mercado, para emissão do benefício de forma digital e simplificada.
Para os operadores logísticos, muitos dos quais contratam esses serviços das plataformas digitais, não há solução única ou fórmula definitiva para mitigar os desafios da escalada de preços dos fretes rodoviários. “Precisamos estruturar estratégias consistentes e orientadas por dados, capazes de reduzir a pressão sobre os custos sem comprometer o nível de serviço e a competitividade”, diz Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da FM Logistic no Brasil.
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