Multas de caminhões no Sistema Anchieta-Imigrantes saltam 49% no litoral de São Paulo
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Fiscalização da Polícia Rodoviária emitiu mais de 105 mil autuações no acesso ao Porto de Santos; mau estado e uso indevido de faixas lideram infrações

O maior porto do Hemisfério Sul também tem números significativos no transporte de cargas que chegam e saem do Porto de Santos. São mais de 600 caminhões por hora que circulam no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), impactando diretamente a mobilidade da região. Mas tamanho fluxo também revela problemas no trato com os veículos: é grande a quantidade de autuações por conta de diversas infrações. Alguns dados ajudam a ilustrar esse panorama.

De acordo com a Polícia Militar Rodoviária (PMR), nas principais rodovias que recebem caminhões com destino ao Porto (Imigrantes, Anchieta, Cônego Domênico Rangoni e Padre Manoel da Nóbrega), foram emitidos 105,6 mil autos de infração no ano passado, contra 70,8 mil em 2024. Entre as principais infrações nos veículos de carga estão: altura de para-choque para evitar intrusão de veículos menores em caso de colisões traseiras (5,4 mil); fiscalização das horas de trabalho e intervalo de descanso do motorista (4,1 mil); equipamentos obrigatórios, faltantes ou inoperantes tais como freios, protetores laterais e travamento dos contêineres (2,3 mil) e mau estado de conservação, tais como pneus desgastados, veículos com corrosão em carroceria e chassis, além de para-brisa danificado (1,8 mil).

Os maiores números de autuações são sobre deixar de conservar o veículo na faixa da direita (41,3 mil) e uso indevido da faixa, permanecendo na esquerda sem necessidade (12,7 mil). De acordo com a comandante de pelotão da 3ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), tenente Mariana Ravanelli, o número de veículos fiscalizados no ano passado também é alto – cerca de 37,3 mil. “O número de caminhões aqui é bem alto. O que é mais comum, além do mau estado de conservação que consiste na situação dos pneus, corrosão, carroceria, chassi, danificado, tem a questão da trava que mantém o contêiner travado; a falta de equipamento obrigatório ou inoperante, assim como o excesso de peso também tem grande impacto”, cita.

Outros problemas são a altura irregular do para-choque e tacógrafo mal preenchido, que não está medindo a velocidade da forma correta, bem como a normalidades no sistema de freios também integram a lista de infrações verificadas nas fiscalizações.
“As pessoas tendem a pensar que a fiscalização da Polícia Rodoviária é só uma questão de multa quando, na verdade, a gente salva vidas. As pessoas com o tempo podem entender isso, esse objetivo de reduzir os acidentes nas rodovias”, aponta.

Fiscalização

De acordo com a tenente Ravanelli, nas companhias, em média, além do efetivo que já trabalha no trecho, com até três viaturas, algumas possuem equipes específicas de operações.
“Na minha companhia, por exemplo, tenho uma equipe específica que atua com operações, com um conhecimento mais técnico para fiscalizar caminhões. Então, além de fiscalizar, eles ensinam os demais. Há uma média de três a quatro operações por semana voltadas para fiscalização de carga”, explica.

Sobre a conscientização dos motoristas a respeito das fiscalizações, ela argumenta que os que são ligados a empresas de transportes assimilam de forma mais natural a necessidade de combate às irregularidades. “Se a gente pega um veículo que é de uma empresa, ele tende a ser mais receptivo porque ele sabe que a responsabilidade é dela. Agora, se o caminhoneiro é autônomo, ele se incomoda um pouco, tenta argumentar, mas no final das contas a gente tenta explicar de uma forma técnica que aquelas autuações, aqueles problemas encontrados podem causar um sinistro”.

Chuva e ultrapassagens

A oficial acrescenta que a fiscalização também observa condutas irregulares, como ultrapassagens irregulares e mudanças de faixa de rolamento. “Isso acontece principalmente na Serra da Anchieta, onde, pela sinalização, o caminhão é obrigado a ficar na faixa mais à direita e, muitas vezes, ele não respeita”, acrescenta.
Para ela, em períodos de mau tempo, a fiscalização também é feita, reforçando a importância da segurança. “Não é porque está chovendo que a gente não fiscaliza. A gente orienta os caminhoneiros a terem muita cautela também nos dias de neblina, mesmo quando acontece a Operação Comboio”, sinaliza.


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