A economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, desaceleração ante o aumento de 3,4% registrado em 2024. No quarto trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) teve variação de 0,1% ante o terceiro trimestre, quando o indicador também teve expansão de 0,1%, segundo dados apresentados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Já na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o avanço foi de 1,8%.
Como foi o PIB
Economia nacional cresceu 2,3% em 2025. O PIB (Produto Interno Bruto) teve desaceleração ano passado ante a alta de 3,4% registrada em 2024, segundo dados apresentados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
PIB teve alta de 0,1% no quarto trimestre ante trimestre imediatamente anterior. O desempenho da economia brasileira repetiu a variação do terceiro trimestre de 2025, quando o indicador avançou 0,1% nessa base de comparação. No quarto trimestre de 2024, o PIB havia crescido 0,2% ante o trimestre imediatamente anterior.
PIB nacional avança pelo 20º trimestre seguido na comparação anual. Já na comparação com o quarto trimestre de 2024, a economia brasileira teve, entre outubro e dezembro, crescimento de 1,8%. No quarto trimestre de 2024, nessa base de comparação, a variação positiva fora maior, de 3,6%.
Em valores correntes, o PIB de 2025 somou R$ 12,7 trilhões. Já o PIB per capita chegou a R$ 59.687, com avanço real de 1,9% frente ao ano anterior. A taxa de investimento na economia brasileira foi de 16,8%, valor que representa uma ligeira redução em relação ao mesmo período de 2025 (17%). Já a taxa de poupança foi de 14,4%, marginalmente abaixo do patamar de 14,5% apurado em 2024.
“Os números do PIB mostram que a economia desacelerou ao longo de 2025, refletindo o impacto dos juros altos, sobretudo nos investimentos das empresas. Ainda assim, a atividade mostrou resiliência, sustentada pelo forte crescimento do consumo da administração pública e pelo bom desempenho de setores menos sensíveis à política monetária, como a agropecuária, beneficiada por uma safra recorde, e a indústria extrativa. Essa combinação também impulsionou as exportações, contribuindo para manter a economia em ritmo sólido, sem sinais de recessão ou desaceleração abrupta”.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank.
Setores de atividade
Agropecuária cresceu 11,7% em 2025. Já o desempenho trimestral em relação ao mesmo período de 2024, a variação foi de 12,1%. Na comparação ao trimestre imediatamente anterior, o agronegócio cresceu 0,5. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE), várias culturas registraram crescimento de produção em 2025, com destaque para o milho (23,6%) e a soja (14,6%), que alcançaram produções recordes na série histórica.
Produção industrial fechou 2025 com avanço de 1,4%. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, a variação foi de 0,6%. Já ante o terceiro trimestre de 2025, houve queda de 0,7%. O destaque positivo foram as Indústrias Extrativas (8,6%) devido ao crescimento da extração de petróleo e gás. A construção cresceu 0,5%, justificada pela alta da massa salarial real na atividade. Por outro lado, a Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos apresentou variação negativa (-0,4%), influenciada pela piora relativa das bandeiras tarifárias em relação a 2024. Já as Indústrias de Transformação registraram variação negativa (-0,2%), principalmente, pela queda na fabricação de coque e derivados do petróleo; produtos de metal e bebidas.
No setor de serviços, a alta apurada em 2025 foi de 1,8%. A variação ante o quarto trimestre de 2024 ficou em 2%, enquanto ante o trimestre imediatamente anterior houve avanço de 0,8%. Cresceram as atividades de: Informação e comunicação (6,5%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%), Transporte, armazenagem e correio (2,1%), Outras atividades de serviços (2,0%), Atividades imobiliárias (2,0%), Comércio (1,1%) e Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (0,5%).
“O PIB ainda continua sendo boa parte influenciado pelos itens não cíclicos, como agropecuária e a indústria extrativa, enquanto os itens cíclicos continuam mostrando desaceleração, casos do consumo das famílias e a indústria de transformação. Para 2026, esse movimento tende a mudar, uma vez que a safra de agro neste ano tende a ser parecida com a de 2025, então a variação ano contra ano deve ser tão relevante. Por outro lado, medidas do governo, principalmente a isenção do IRPF, devem impulsionar o consumo, apesar da política monetária ainda restritiva”.
Antonio Ricciardi, economista do Daycoval.
Na ótica da demanda interna, o consumo das famílias cresceu 1,3% em 2025. As variações ante o mesmo período de 2024 e ante o trimestre imediatamente anterior foram de 1% e zero, respectivamente. Melhora foi puxada pela condição no mercado de trabalho, pelo aumento do crédito e pelos programas governamentais de transferência de renda. Entretanto, esta taxa representa uma desaceleração em relação ao crescimento de 2024 (5,1%) devido, principalmente, aos efeitos adversos da política monetária contracionista, com a maior taxa básica de juros Selic desde 2006.
O consumo do governo, por sua vez, cresceu 2,1% em 2025. O setor público cresceu 3,6% ante o quarto trimestre de 2024 e 0,6% ante o trimestre imediatamente anterior.
“O PIB ficou estável em relação ao terceiro trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, por conta da estabilidade do consumo das famílias e do crescimento no consumo do governo”.
Rebeca Palisdisse, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.
Exportações crescem, mas importações recuam no quarto trimestre. No ano marcado pelo tarifaço dos Estados Unidos sobre importações, que atingiram também o Brasil, as vendas do país ao exterior cresceram 14,2% no trimestre final, enquanto as importações cederam 0,3%.
PIB brasileiro em 2025 teve desempenho mais fraco desde 2020. Confira as variações apuradas pelo IBGE nos últimos seis anos.
2025: +2,3%
2024: +3,4%
2023: +3,2%
2022: +3,0%
2021: +4,8%
2020: -3,3%
“Para 2026, o crescimento econômico será mais concentrado no primeiro semestre, em dinâmica sustentada pelos estímulos fiscais típicos de períodos pré-eleitorais, pelo aumento da renda disponível das famílias decorrente da reforma do Imposto de Renda e do aumento do salário mínimo, além do desempenho do setor agropecuário, com expansão da produção de soja no início do ano”.
Rafael Perez, economista da Suno Research.“A atividade doméstica deve ganhar tração em 2026, apoiada por impulsos de renda e crédito. A renda real disponível às famílias deve crescer 4,5% neste ano, sustentada pela robustez do mercado de trabalho, maiores transferências fiscais e os efeitos da reforma do IRPF. Além disso, um conjunto amplo de medidas de estímulo deve sustentar a demanda no curto prazo”.
Rodolfo Margato, economista da XP.
O que é o PIB
O Produto Interno Bruto corresponde à soma de todos os bens e serviços finais produzidos em determinada economia. Divulgado no Brasil pelo IBGE a cada três meses, o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais é calculado a partir de uma fórmula que considera o consumo das famílias, os gastos do governo, os investimentos e as exportações líquidas.
O estudo que mede o desempenho da economia nacional foi iniciado em 1988, mas sofreu alterações. A primeira reestruturação ocorreu em 1998, quando os seus resultados foram integrados ao Sistema de Contas Nacionais, de periodicidade anual. Em 2015, uma nova mudança metodológica estabeleceu o ano de 2010 como referência para os cálculos.
O IBGE calcula duas séries de números-índices para analisar o desempenho do PIB a cada trimestre. Uma das modalidades tem base no ano anterior à divulgação. Já a outra, chamada de “encadeada”, tem o ano de 2010 como referência, sendo ajustada sazonalmente de forma que permita o cálculo das taxas de variação em relação ao trimestre imediatamente anterior.
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