Com a alta do petróleo, defasagem no preço da gasolina já chega a 17% e no diesel a 23% nas refinarias da Petrobras
Compartilhe

Para analistas, disparada do barril vai aumentar pressão sobre preços dos combustíveis no Brasil

Com a escalada do conflito no Oriente Médio, após o ataque de Estados Unidos e Israel ao Irã e uma contraofensiva de Teerã, o preço do petróleo no mercado internacional chegou a saltar 13%, superando US$ 82. O movimento fez disparar a defasagem do preço de venda da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras, na comparação com o patamar global. E isso vai ampliar a pressão sobre os valores praticados no Brasil. Em meio ao cenário volátil, avaliam especialistas, a petroleira, porém, deve aguardar até bater o martelo sobre reajuste de preços.

— Na sexta-feira passada, no fechamento do mercado, o preço do litro do diesel nas refinarias da Petrobras estava 12% abaixo do praticado no mercado internacional, enquanto na gasolina a diferença era de 3%. Agora, a diferença cresceu para -23% no diesel e -17% na gasolina. Vamos ver como a Petrobras vai operar — diz Sergio Araújo, presidente da Abicom, que reúne as importadoras de combustíveis no país. — Produtos importados e produzidos por refinarias privadas no país vão ter aumento.

Compasso de espera
A Petrobras considera o momento atual como de forte instabilidade e volatilidade e, com isso, vai aguardar as próximas duas semanas para entender como o preço do barril irá se comportar para, então, avaliar possíveis mudanças no preço dos combustíveis em suas refinarias, segundo uma pessoa do alto escalão da companhia. Ainda não há nenhuma indicação de movimento nos preços nesta segunda-feira, afirmou, já que o cenário é de “muita incerteza”.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, destaca que, na atual gestão, a política de preço da Petrobras mudou de lógica, deixando de seguir o mercado internacional.

— O movimento de redução de preço é feito no dia seguinte, mas quando é aumento, ele não vem. O cenário atual é muito volátil, e será preciso ver se esse aumento vai se tornar estrutural ou se é passageiro. Acho que a Petrobras e as demais petroleiras vão ter parcimônia. Se o Estreito de Ormuz fechar de vez, aí terão de revisar os preços.

Ainda na manhã desta segunda-feira, após o pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, de que está aberto a interromper sanções contra o Irã, caso o novo líder do país seja pragmático em duas decisões, a apreciação do petróleo perdeu força. Pouco depois das 11h, a alta era de 8,55%, com o barril a US$ 79,11.

Esse salto no valor do barril resulta sobretudo da quase interdição do Estreito de Ormuz, passagem fundamental para o transporte de petróleo globalmente e via para aproximadamente um quinto da produção mundial.

O último ajuste no preço da gasolina anunciado pela Petrobras entrou em vigor em 27 de janeiro, quando a estatal anunciou a primeira redução do ano. O valor médio cobrado na refinaria recuou 5,2%, para R$ 2,57 por litro, ou um corte de R$ 0,14. Não houve mudança no preço do diesel.

Pressão maior sobre o diesel
A maior pressão de preços atual é sobre o diesel, conta essa pessoa da Petrobras, considerando que, desde o início de fevereiro, o preço de venda do combustível pela estatal passou a registrar defasagem diária na comparação com o mercado internacional, o que indica uma pressão adicional sobre os preços praticados no Brasil.

— A elevação (do preço do petróleo) foi muito grande. E vai haver maior pressão sobre os preços da Petrobras. O último reajuste do diesel foi em maio de 2025. Mas é um momento político sensível para aumento de combustível porque impacta diretamente a inflação — ponderou Araújo, destacando o cenário fiscal e o ano de eleições no Brasil.

Araújo, da Abicom, não enxerga possível solução para o conflito no Oriente Médio no curto prazo.

— Acredito que o preço do barril de petróleo vai flutuar em torno de US$ 80 ou um pouco para cima. De um lado, é positivo porque o Brasil é exportador de petróleo, favorecendo a balança comercial e elevando a margem das petroleiras que produzem aqui — destaca ele. — De outro, produtos importados e produzidos por refinarias privadas no país vão ter aumento.

Atualmente, continua ele, o Brasil importa o equivalente a 30% da demanda de diesel e 10% da de gasolina, entre outros derivados. Ele alerta que as regiões Norte e Nordeste, onde há apenas uma refinaria da Petrobras, em Pernambuco, o impacto em preços será maior.

Procurada, a Petrobras não respondeu até a publicação desta reportagem.

 


voltar

SETCESP
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.