Lei Orçamentária prevê R$ 18,18 bilhões para o setor, valor superior ao autorizado em 2025; CNT destaca necessidade de converter recursos em obras efetivas
O orçamento destinado à infraestrutura de transporte em 2026 registrou ampliação em relação ao exercício anterior. A LOA (Lei Orçamentária Anual), sancionada em 15 de janeiro de 2026, consolidou R$ 18,18 bilhões para investimentos da União e das estatais no setor, montante superior aos R$ 17,34 bilhões autorizados em 2025. As informações foram detalhadas no Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, publicado em fevereiro de 2026.
Apesar do avanço na previsão de recursos, a execução financeira ainda apresenta ritmo moderado, com apenas R$ 870,7 milhões pagos no início do ano. A distribuição do orçamento mantém a predominância do modo rodoviário, que concentra 65,17% dos recursos autorizados (R$ 11,85 bilhões). O modo aéreo (incluindo investimentos da União, da Infraero e de defesa aérea) responde por 21,26%, enquanto o aquaviário detém 11,31%, e o ferroviário, 2,26%.
O cenário reflete a importância estratégica do transporte rodoviário para a logística nacional, mas também evidencia a necessidade de diversificação, fortalecimento e integração dos demais modos para a ampliação da eficiência logística.
O setor enfrenta o desafio histórico de converter valores autorizados em execução efetiva ao longo do exercício fiscal. Para a CNT, a aplicação tempestiva dos recursos é fundamental para garantir a manutenção e a restauração da malha federal, reduzir custos operacionais e preservar a competitividade logística do país.
Para a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, a ampliação do orçamento representa um sinal positivo para o planejamento da infraestrutura. “A efetividade dos investimentos será determinante para que os recursos autorizados se traduzam em melhorias concretas na qualidade das rodovias, dos portos, dos aeroportos e das ferrovias, contribuindo para o desenvolvimento econômico e para o fortalecimento do transporte brasileiro”, explicou.
Custos pressionam o setor
Além do desafio da execução orçamentária, o ambiente de custos também exige atenção. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 4,44% em janeiro de 2026, permanecendo dentro do limite de tolerância, mas acima da meta central. O grupo Transportes registrou variação de 0,60% no mês e exerceu o maior impacto sobre o índice geral, refletindo reajustes concentrados no início do ano.
O movimento evidencia o peso estrutural do transporte na formação de preços e na dinâmica inflacionária e a necessidade de medidas de redução de custos para o setor.
Entre os principais insumos do setor, os combustíveis apresentaram alta de 2,14% em janeiro, o maior resultado para o mês desde 2020. O etanol subiu 3,44%; a gasolina, 2,06%; e o óleo diesel, 0,52%. A combinação entre fatores domésticos, como a entressafra da cana-de-açúcar, e pressões internacionais sobre o petróleo reforça a sensibilidade da estrutura de custos do transporte às oscilações do mercado energético, com impacto direto sobre margens operacionais e planejamento empresarial.
Ao mesmo tempo, a manutenção da taxa Selic em 15,0% ao ano mantém o crédito em patamar elevado, encarecendo capital de giro e financiamento de bens de capital. Nesse contexto, a efetiva aplicação dos recursos previstos para infraestrutura, associada a um ambiente macroeconômico mais previsível, torna-se elemento central para fortalecer a competitividade logística, ampliar investimentos privados e sustentar a geração de empregos. O setor de transporte e logística encerrou 2025 com recorde histórico de trabalhadores empregados: 2,9 milhões.
Geração de empregos mantém ritmo positivo
O setor de Transporte, Armazenagem e Correios encerrou 2025 com estoque histórico de 2,9 milhões de trabalhadores formais, o equivalente a cerca de 6% do total de empregos com carteira assinada no país. Ao longo do ano, foram criadas 94.495 novas vagas formais, representando 7,38% do saldo total de empregos gerados na economia brasileira. Embora o ritmo de crescimento tenha apresentado desaceleração em relação aos anos anteriores, os dados confirmam a relevância estrutural do transporte para a atividade econômica e para a sustentação do mercado de trabalho nacional.
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