Tarifas impostas pelo governo norte-americano são destaque em publicação da CNT
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Lançado nesta quarta-feira (16), o Boletim de Conjuntura Econômica de abril, da CNT (Confederação Nacional do Transporte), destaca aspectos da política anunciada pelo governo norte-americano desde o dia 2 de abril. A princípio, o chamado “tarifaço” alcançou diversos países. Posteriormente, houve um recuo da medida, no qual as alíquotas foram fixadas uniformemente (10%) por um prazo de 90 dias, à exceção da China. Ao ingressarem no mercado americano, os produtos do país asiático serão tarifados em 145%. 

Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras em diversos setores, portanto é esperado um impacto na balança comercial do Brasil. Segundo a CNT, ferro fundido e aço (que já recebiam tarifa de 25%) devem ser as commodities mais afetadas. Para se ter uma ideia, em 2024, os EUA responderam por 86,1% das exportações de ferro fundido e por 79,2% das exportações de produtos semimanufaturados de ferro ou aço. Os EUA também são os principais consumidores de aeronaves e outros veículos aéreos brasileiros – eles são compradores de 63,2% das unidades exportadas.

“As medidas anunciadas apontam um cenário desafiador para o setor de transporte e logística no mundo. As tarifas adicionais devem gerar uma reorganização do comércio mundial de mercadorias, com impactos sobre as operações de transporte e logística. O setor transportador precisará adotar medidas com ganhos de produtividade e soluções logísticas inovadoras para manter a competitividade em um possível cenário de mercado externo mais restritivo”, aponta Fernanda Schwantes, gerente executiva de Economia da CNT. 

O Boletim de Conjuntura Econômica aborda, ainda, o plano de ação dos EUA para revitalizar sua indústria de construção naval. A produção norte-americana de navios representa, hoje, menos de 1,0% da produção mundial, ao passo que a chinesa responde por cerca de 50,0%. Diante desse cenário, foi editado o decreto “Restaurando o Domínio Marítimo da América”, que envolve ações coordenadas das secretarias de Estado, Defesa e Comércio, entre outras, para a criação de um fundo de financiamento, ações de capacitação e retenção da mão de obra para o setor e tarifas e taxas portuárias para navios produzidos na China ou de empresas chinesas. 

Efeitos sobre o câmbio

As tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contribuíram para a volatilidade do câmbio, conforme demonstra a publicação. Desde dezembro de 2024, o Banco Central vem adotando intervenções expressivas para tentar frear a valorização do dólar. Em janeiro de 2025, a moeda norte-americana atingiu o valor recorde de R$ 6,21. Após um curto período de arrefecimento, o dólar voltou a se valorizar sobre o real, impelido pelo temor de uma eventual guerra comercial.   

“As negociações entre EUA e China estão no centro das atenções dos investidores. O cenário externo incerto tem aumentado a volatilidade, afetando diretamente os negócios no Brasil, especialmente num contexto em que o setor produtivo busca maior previsibilidade. A forte desvalorização da moeda chinesa, em meio ao acirramento das tensões, também tem pressionado o real, dada a relevância da China como principal parceiro comercial do Brasil”, analisa Fernanda Schwantes. 

Indicadores relevantes

Como de costume, o Boletim de Conjuntura Econômica traz indicadores econômicos de interesse dos transportadores. Entre eles, destaca a inflação. Em março de 2025, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) aumentou 0,56%. No acumulado em 12 meses, o índice alcançou 5,48%, permanecendo, pelo sexto mês consecutivo, acima do limite superior da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional para 2025, fixada em 4,50%. No ano (janeiro a março), o IPCA acumula alta de 2,04%.

No mesmo período, a inflação do grupo Transportes cresceu 0,46%, representando uma desaceleração de 0,14 p.p. em relação a fevereiro. O resultado foi impulsionado, principalmente, pela alta no preço das passagens aéreas, que registraram a maior variação positiva do grupo, com avanço de 6,91% e dos combustíveis (0,46%). Em contrapartida, houve recuos para ônibus interestadual (-2,13%) e metrô (-1,68%). No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do grupo atingiu 6,05%.

A publicação traz, ainda, dados relativos à Pesquisa Mensal de Serviços e os números da atividade econômica (IBC-Br). Para acessá-los na íntegra, clique aqui e baixe o documento.


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