Setor de transporte registra inflação abaixo do indicador geral em 2024, mesmo com aumento de preços de combustíveis e pedágio, revela CNT
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A inflação de 2024 – medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – ficou em 4,83%, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (4,50%). O resultado também foi maior que o registrado em 2023, quando o índice acumulou alta de 4,62%. No grupo de transportes, o índice anual foi de 3,30%, abaixo da média geral, mas com variações significativas em itens específicos. É o que revela a primeira edição de 2025 do Boletim de Conjuntura Econômica, publicado pela CNT (Confederação Nacional do Transporte).

Entre os 377 itens considerados para o cálculo do IPCA, a gasolina foi o item que teve maior impacto sobre a inflação no ano. Além do aumento de 9,71% nos preços da gasolina, os transportadores observaram elevação nas tarifas de pedágio (4,10%), do etanol (17,58%) e do gás veicular (7,66%). Em contrapartida, os custos com pneus e óleos lubrificantes apresentaram queda no ano de -2,07% e -0,53%, respectivamente.

De acordo com a publicação da CNT, a reação do Copom (Comitê de Política Monetária) para o controle da inflação foi mais uma elevação da meta da taxa básica de juros – a Selic. No início de dezembro, o Comitê ajustou de 11,25% ao ano para 12,25%. Segundo Fernanda Schwantes, gerente executiva de Economia da CNT, o mercado financeiro tem projetado aumento da inflação em 2025 e uma política monetária ainda mais restritiva, com a Selic em 15% ao ano. “O processo inflacionário e a medida do antídoto preocupam o setor transportador, pois a Selic baliza as taxas de juros dos financiamentos para as operações dos empresários e para os investimentos em infraestrutura de transporte”, afirma Fernanda.  

Transportes aéreo e terrestre em queda

Conforme o boletim da CNT, o volume de serviços do setor transportador, mensurado pela PMS (Pesquisa Mensal de Serviços) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) retraiu 2,7% em novembro de 2024. No mês anterior, o transporte alcançou o maior nível de crescimento mensal da série histórica iniciada em 2011.

Todos os segmentos do setor apresentaram diminuição no volume de operações no mês, à exceção do modo aquaviário, que teve crescimento de 0,2%. O destaque negativo foi o transporte aéreo, que registrou uma queda expressiva de 13,7% no volume de serviços em relação a outubro. O transporte terrestre também apresentou retração, embora mais moderada (-0,7%), enquanto o segmento de armazenagem, serviços auxiliares ao transporte e correio teve desempenho praticamente estável, com leve redução de 0,2%.

Na divisão por tipo de serviço, o transporte de passageiros apresentou queda de 3,4% em novembro, enquanto o transporte de cargas recuou 1,4%. Apesar das retrações no mês, ambos os segmentos mantêm desempenho acima dos níveis pré-pandemia: o transporte de passageiros está 34,2% superior a fevereiro de 2020, e o transporte de cargas, 7,9%.

Acesse a íntegra do Boletim de Conjuntura Econômica


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