Negócios podem impulsionar resultados sem inflar custos com adoção de novas ferramentas
Inovação e tecnologia são cada vez mais estratégicos na gestão dos negócios e a forma como as empresas encaram esses processos precisa evoluir. “Em 2026, uma média [empresa] deve olhar características de inovação como investimento e não como custo. Não deve copiar modelos que funcionaram em grandes, mas se inspirar nelas, se adaptar. E ter uma mudança cultural com processos, jornadas, missão e valores muito claros”, diz Eduardo Freire, CEO da FWK Innovation Design, desenvolvedora de soluções em inovação com 13 anos de atuação e presença global.
Diante da projeção de desaceleração do PIB brasileiro neste ano (1,5% a 1,7%), a inovação pode ser um mecanismo de compensação para companhias de médio porte. O foco, segundo especialistas, deve recair sobre a transição para a indústria 4.0, a migração para a Cloud 3.0 e o uso escalável de IA generativa para otimizar custos e organizar dados. Nesse sentido, o governo federal tem projetos de incentivos à inovação e tecnologia, como o Plano Mais Produção, que destinou R$ 588 bilhões até 2025.
“A IA será a grande demanda e tendência para 2026, não há como escapar”, diz Renata Barcelos, engenheira, professora da Fundação Dom Cabral (FDC) e pesquisadora nas áreas de inovação, governança corporativa e estrutura organizacional. Segundo Barcelos, as médias empresas devem migrar de uma visão puramente corretiva para uma abordagem oportunista e estratégica da IA. Em vez de apenas automatizar tarefas triviais ou processos obsoletos, o foco deve ser a transformação do modelo de negócio e o uso de dados para uma compreensão de mercado sem precedentes.
Em 2026, as médias empresas poderão suprir a carência de estruturas internas de TI, de alto custo, com a adoção de plataformas de automação e IA. Entre as alternativas estão ecossistemas como Lovable (desenvolvimento de interfaces e dashboards), Fluna (orquestração de workflows e mosaicos de IA) e n8n (criação de agentes e automação logística). Essas ferramentas permitem que o negócio ganhe maturidade digital sem a necessidade de equipes próprias de maior envergadura.
Na comunicação, a IA deve superar o status de commodity para se tornar um vetor de eficiência operacional, afirma Vinicius Ventura, CRO da Dialog – que cria plataformas de comunicação interna e engajamento e atende desde gigantes como Albert Einstein e Oxxo até médias como Ricardo Almeida. O desafio, destaca o executivo, é encontrar o equilíbrio entre produtividade e gestão de dados, evitando o uso excessivo de tecnologia onde ela não é essencial.
Dentro da comunicação interna da empresa, Ventura explica que um dos novos caminhos é o de aplicativos que mapeiam o comportamento dos colaboradores, como uma rede social corporativa. “Isso ajuda a entender e identificar o perfil do colaborador que é um líder, daquele que é um comunicador por natureza, da pessoa que mais engaja por ser alguém presente, que assiste lives do presidente, participa de todos os eventos, escreve coisas interessantes.”
Para as médias indústrias, o salto para a versão 4.0 exige a conectividade total dos ativos. Segundo Erik Calça, gerente de manutenção na PepsiCo, a inovação atual reside na integração de equipamentos e dados para o uso de big data. O objetivo é a tomada de decisão em tempo real, isto é, uma gestão preditiva que identifica falhas de qualidade ou gargalos na linha de produção instantaneamente, eliminando a burocracia dos processos manuais de manutenção.
Para Calça, o barateamento da conectividade permite que médias empresas superem o gap de inovação. O objetivo central deve ser a implementação de um ERP robusto, como o SAP, para integrar o chão de fábrica às áreas de finanças e supply chain. Essa sinergia otimiza a manufatura e garante que a produção esteja alinhada à estratégia financeira da empresa.
“O efeito da IA em 2026 não depende do tamanho da empresa, mas da qualidade dos dados, clareza dos processos e disciplina de governança”, diz Silvio Dantas, diretor executivo de inovação & transformação digital na Capgemini. “Até 40% dos aplicativos corporativos, segundo levantamento da Gartner de 2025, embutirão agentes específicos de tarefa já em 2026, enquanto o uso de IA em fluxo estruturado cresce e se aprofunda nas operações. A recomendação executiva é começar pequeno, medir o impacto e escalar, mantendo supervisão humana em pontos críticos de decisão”, acrescenta.
A Cloud 3.0 é um passo à frente entre as possibilidade de avanço tecnológico em 2026 para as médias, sendo que muitas ainda estão consolidando a Cloud 2.0 em seu ambiente. A primeira é uma evolução que parece uma involução: quando todos estavam comemorando a migração quase total para a computação em nuvem, veio a ideia de que é preciso também ter uma infraestrutura particular, graças, em grande parte, à IA.
“Não é marcha à ré. A Cloud 3.0 prega arquiteturas híbridas, multicloud e soberanas que combinam borda/on-prem, ou seja, sistemas de TI que são instalados, hospedados e operados nas instalações físicas da própria empresa, com nuvem pública conforme latência, custo, resiliência e jurisdição de dados”. Ou seja, para o uso de IA no dia a dia, é preciso que o processamento aconteça fisicamente dentro de onde o evento ocorre, mais rapidamente, sem necessidade de usar data centers distantes ou de nuvem que responderiam com atraso.
“O ano de 2026 será o da cogestão humano-IA”, afirma o executivo, acrescentando que os agentes de IA podem propor e executar tarefas em funções bem delimitadas, como conciliação, compras, roteirização logística, previsão de demanda, atendimentos, mas sempre com limites de autoridade, trilha de auditoria e aprovação humana quando o risco exige. “Autonomia plena permanecerá uma exceção”. Ou seja, a máquina continuará sob supervisão humana.
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