Exportações brasileiras aos EUA têm a maior queda desde 2020
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Indústria de transformação apresentou sua primeira retração nos últimos cinco anos; segundo entidade comercial, resultado é explicado por tarifas e queda nas vendas de petróleo

As exportações do Brasil aos Estados Unidos registraram em 2025 a maior queda nos últimos cinco anos, mostrou a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio).

As vendas ao mercado americano totalizaram US$ 37,7 bilhões, uma retração de 6,6% em relação a 2024. Nesse mesmo período, a participação dos EUA na pauta exportadora brasileira passou de 12% para 10,8%, taxa mais baixa desde 2020 (10,3%), ano da pandemia.

De acordo com a edição anual do Monitor do Comércio Brasil–EUA, baseado em estatísticas oficiais do governo brasileiro, o resultado contrasta com o desempenho positivo das exportações brasileiras para parceiros, como China, União Europeia e Mercosul.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, a queda das exportações do Brasil aos Estados Unidos em 2025 “interrompe uma trajetória saudável no comércio bilateral observada nos últimos anos.”

O resultado está ligado principalmente ao tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump. Atualmente, produtos sujeitos a sobretaxas de 40% ou 50% ainda representam cerca de um terço das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Para a entidade comercial, é necessário que o país avance nas negociações com os EUA no início de 2026 com o objetivo de retomar o crescimento das exportações brasileiras.

Déficit comercial EUA-Brasil se intensifica

Em sentido oposto às exportações, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram pelo terceiro ano consecutivo, atingindo o segundo maior valor da série histórica.

Houve uma alta de 11,3% nas importações de produtos vindos dos EUA em relação a 2024, totalizando US$ 45,2 bilhões. O avanço foi puxado por produtos como motores e máquinas não elétricas, óleos combustíveis, aeronaves e medicamentos, apontou a Amcham.

A combinação entre o aumento das importações e a queda das exportações resultou em um déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil em 2025. Esse foi um salto de 2.500% frente a 2024, quando o saldo negativo foi de US$ 300 milhões.

O déficit com os Estados Unidos foi o terceiro maior do Brasil, atrás apenas de Rússia e Alemanha.

Tarifas e petróleo

Segundo a Amcham Brasil, dois principais fatores explicam a queda das exportações brasileiras aos EUA: tarifas e petróleo.

As exportações de bens sujeitos a tarifas de 40% ou 50% recuaram 9,5%, com uma perda de US$ 1,5 bilhão no ano. Já os produtos afetados pelas medidas da Seção 232, como o setor siderúrgico, registraram queda de 4,1% (–US$ 353 milhões).

Quando as medidas mais elevadas dos EUA entraram em vigor, os efeitos sobre o comércio se intensificaram. Entre agosto e dezembro, as exportações brasileiras de produtos atualmente sujeitos a sobretaxas caíram de US$ 11,2 bilhões em 2024 para US$ 8,8 bilhões em 2025, uma

O segundo fator apontado pela organização é a queda nas vendas de petróleo bruto e combustíveis – sem relação com as tarifas –, que somaram retração de US$ 1,2 bilhão, influenciada pela maior produção interna nos EUA.

Além de petróleo e combustíveis, outros itens também apresentaram queda nas exportações ao mercado americano:

  • Celulose (perda de US$ 352,8 milhões)
  • Semimanufaturados de ferro e aço (recuo de US$ 179,8 milhões)
  • Madeira (–US$ 127,8 milhões)
  • Motores de pistão (–US$ 93,8 milhões)
  • Minério de ferro (–US$ 89,1 milhões)
  • Equipamentos de engenharia civil (–US$ 85,6 milhões)

Indústria tem primeira queda desde 2020

Ainda segundo o estudo, a indústria de transformação apresentou em 2025 sua primeira retração nos últimos cinco anos. Esse setor, responsável por mais de 80% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, recuou 4,2%, totalizando US$ 30,2 bilhões.

Apesar da queda, os EUA permanecem como o principal destino das exportações industriais brasileiras. O mercado americano responde por 16% do total, à frente da União Europeia (US$ 23,6 bilhões) e do Mercosul (US$ 23,5 bilhões).


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