Produção técnica da CNT acompanha biometano, eletromobilidade, hidrogênio renovável, diesel verde e SAF e leva conhecimento brasileiro ao debate da COP31
Em 2021, quando a CNT lançou a primeira edição da série Energia no Transporte, o biometano abriu uma sequência de estudos dedicados a compreender como novas fontes de energia e tecnologias têm o potencial de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis no transporte. Desde então, novas alternativas entraram nessa discussão, acompanhadas de desafios próprios para sua adoção.
Ao longo de cinco edições, a série acompanhou a evolução de tecnologias, mercados e marcos regulatórios e analisou vantagens, limitações e condições de uso no transporte brasileiro.
Agora, esse conhecimento acumulado integra a preparação do Sistema Transporte para a COP31, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia. A transição energética estará entre os temas levados pela instituição ao debate internacional, a partir de uma questão que atravessa os estudos produzidos ao longo desses anos: um setor formado por modos, operações e necessidades distintas demanda diferentes caminhos para reduzir suas emissões.
Desde sua criação, a série oferece às empresas do setor informações sobre fontes de energia e combustíveis alternativos, considerando aspectos ambientais, econômicos e operacionais, assim como oportunidades e desafios para a adoção. Os estudos ajudam a compreender onde essas soluções podem ser aplicadas e quais condições precisam ser consideradas pelo transportador.
Uma agenda que ganhou novas fontes
A trajetória começou com o biometano, biocombustível produzido a partir da decomposição da matéria orgânica dos resíduos sólidos ou de biomassas, com potencial econômico favorável no transporte rodoviário. O estudo inaugural analisou produção, regulamentação, aplicações e desempenho ambiental dessa fonte energética renovável.
Em 2022, a eletromobilidade levou a discussão para o uso da eletricidade na propulsão dos veículos e para a infraestrutura necessária a esse sistema, que inclui baterias, carregadores, pontos de recarga e rede elétrica. O estudo já apontava que, embora o desenvolvimento tecnológico estivesse concentrado nos veículos leves, a eletrificação começava a alcançar também os veículos pesados.
No ano seguinte, o hidrogênio renovável entrou na série como alternativa com aplicações em diferentes modos de transporte. A publicação analisou seu uso em veículos leves e pesados e aplicações potenciais nos modos aéreo, ferroviário e marítimo. O estudo mostrou ainda a relação entre o desenvolvimento dessa tecnologia e a disponibilidade de energia renovável necessária à sua produção.
Em 2024, o diesel verde acrescentou outra possibilidade ao conjunto. Produzido a partir de biomassas e resíduos, o combustível apresenta características compatíveis com motores vigentes do ciclo diesel. O estudo também apontou desafios relacionados à produção em escala, à necessidade de investimentos na capacidade produtiva e de avanços regulatórios para inserir a participação desse combustível na matriz energética nacional.
A edição de 2025 chegou ao transporte aéreo com o SAF (Sustainable Aviation Fuel). A publicação analisou matérias-primas, tecnologias de produção e as condições brasileiras para aumentar a oferta do combustível sustentável de aviação, além dos desafios relacionados a custos, escala industrial e regulamentação.
Vistas em conjunto, as cinco edições mostram que a transição energética não ocorre da mesma maneira em todo o setor de transporte. Autonomia, distância percorrida, carga transportada, infraestrutura disponível, oferta de energia e custos pesam de forma diferente em cada operação e na escolha das tecnologias.
Essa diversidade também aparece no Inventário CNT de Emissões de Gases do Efeito Estufa do Setor de Transportes. Lançado em 2025, no contexto da participação do Sistema Transporte na COP30, o levantamento também integra a série Rumo à COP31 e considera as particularidades dos modos e operações.
Potencial brasileiro entra nessa equação
Os estudos também identificam características do Brasil que influenciam essa transição. A disponibilidade de biomassa e resíduos abre espaço para biometano, diesel verde e SAF. A presença de fontes renováveis na geração de eletricidade influencia tanto na aplicação da eletromobilidade no transporte quanto a produção de hidrogênio renovável.
Isso não elimina os obstáculos. Infraestrutura de abastecimento e recarga, capacidade de produção, custo das tecnologias, disponibilidade regional dos combustíveis, financiamento e segurança regulatória aparecem, em diferentes graus, entre os desafios para a adoção dessas fontes em maior escala.
Esse conjunto de diferenças sustenta a posição da CNT de que a transição energética do transporte não deve priorizar uma única fonte. As características de cada operação e as condições disponíveis em cada região precisam ser consideradas na escolha das alternativas.
Para Fernanda Rezende, diretora executiva da CNT, os cinco anos de estudos mostram uma evolução na forma de analisar a transição energética no transporte.
“Quando iniciamos essa série, havia uma discussão muito concentrada nas características de cada combustível ou tecnologia. Ao longo desses anos, ficou cada vez mais claro que a análise precisa considerar o conjunto de fatores envolvidos na adoção de cada solução: disponibilidade da fonte, escala de produção, infraestrutura, maturidade tecnológica, custo e adequação à operação. O Brasil reúne uma diversidade de recursos energéticos e características próprias que também precisam entrar nessa análise. Não se trata de escolher uma tecnologia para todo o setor, mas de entender onde cada alternativa pode ser mais adequada e quais condições são necessárias para sua adoção”, explica.
No Sistema Transporte, a sustentabilidade integra uma agenda permanente, que acompanha as mudanças do setor e os desafios associados à transição para uma economia de baixo carbono.
“É esse conhecimento que queremos levar à COP31, compartilhar com outros países e conhecer as soluções que vêm sendo desenvolvidas em diferentes realidades. A transição energética está avançando rapidamente, e acompanhar essa evolução é essencial para que as decisões do setor sejam tecnicamente consistentes e compatíveis com a realidade brasileira. Em Antália, vamos apresentar uma nova edição da Série CNT Energia no Transporte, com mais uma alternativa que passará a integrar esse acompanhamento”, antecipa a gerente executiva de Sustentabilidade do Sistema Transporte, Gabriela Rizza.
Rumo à COP31
Esta reportagem integra a série Rumo à COP31, que apresenta estudos, análises e iniciativas do Sistema Transporte na preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que será realizada de 9 a 20 de novembro, em Antália, na Turquia.
Os conteúdos podem ser conferidos no hotsite Transporte e a COP, que reúne informações, estudos, vídeos e notícias sobre a participação do Sistema Transporte na conferência.
Em Antália, essa participação inclui o Pavilhão Internacional do Transporte, na Blue Zone da COP31, desenvolvido em parceria com a SLOCAT Partnership.
Conheça o hotsite Transporte e a COP31
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