Comunicado CONET de agosto de 2026
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Defasagem do Frete: um alerta para toda a cadeia do Transporte Rodoviário de Cargas

 

A NTC&LOGÍSTICA torna pública a defasagem média de 10,5% entre os valores de frete praticados e os custos efetivos do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC), apurados pelo DECOPE – Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas.

O índice representa um importante sinal de alerta para transportadores, embarcadores, contratantes e demais agentes envolvidos na contratação do transporte, uma vez que a manutenção de preços abaixo dos custos compromete a sustentabilidade econômica das operações e, consequentemente, a capacidade de manutenção da qualidade e da segurança dos serviços.

A defasagem de 10,5% é o principal alerta

Após um período de maior estabilidade dos custos operacionais em 2025, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por forte pressão sobre os custos do transporte, especialmente em razão dos combustíveis.

No período, o combustível apresentou aumento acumulado de 17,63%, enquanto os demais componentes também registraram elevação:

Componente de custo Acumulado no 1º semestre de 2026
Caminhão 1,32%
Mão de obra 5,00%
Combustível 17,63%

Mesmo diante dessa evolução dos custos, os preços praticados no mercado não acompanharam integralmente essa elevação. O resultado é uma defasagem média de 10,5%, que evidencia a necessidade de revisão dos valores atualmente praticados.

O impacto para o transporte e para toda a cadeia

O transporte rodoviário de cargas é essencial para o funcionamento da economia brasileira. Quando o preço contratado não acompanha o custo necessário para realizar a operação, a diferença precisa ser absorvida pelo transportador, reduzindo sua margem e comprometendo sua capacidade de investimento, por exemplo, em renovação de frota, manutenção, segurança e melhoria dos serviços.

Por isso, a recomposição do frete não deve ser vista apenas como uma questão do transportador, mas como uma necessidade para preservar a sustentabilidade de toda a cadeia logística.

Além da recomposição do frete, é fundamental que sejam corretamente considerados os componentes tarifários aplicáveis a cada operação, especialmente Frete-Valor, GRIS, TSO, custos de gerenciamento de riscos, cobrança adequada de cubagem e demais taxas e serviços adicionais.

Também merece atenção o custo financeiro decorrente dos prazos concedidos aos clientes. Com a Selic ainda elevada, o financiamento desses prazos representa um custo adicional para o transportador que não está contemplado nas planilhas referenciais de custos da NTC.

A recomposição dos valores

A defasagem média de 10,5% demonstra que os preços atualmente praticados não refletem integralmente o custo necessário para a prestação do serviço de transporte.

Esse cenário aponta a necessidade de que transportadores e contratantes revisem os valores de frete e seus componentes, buscando recompor as perdas acumuladas e estabelecer preços compatíveis com os custos efetivos de cada operação.

A recomposição adequada dos preços é fundamental para assegurar a continuidade, qualidade, segurança e sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas, setor essencial para o abastecimento da população, o funcionamento das empresas e o desenvolvimento da economia brasileira.

Frete adequado é condição para um transporte sustentável.

Brasília, 27 de agosto de 2026.
Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística – NTC&Logística


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