Atividade do transporte recua 0,9% no semestre, mas permanece 17,9% acima do pré-pandemia
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A atividade de transporte registrou desaceleração no primeiro semestre de 2026, em meio a um cenário de moderação da economia brasileira. Segundo o Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, o segmento de Transportes, Serviços Auxiliares aos Transportes e Correio recuou 0,9% na comparação com o primeiro semestre de 2025. Mesmo com a retração no período, o setor permanece 17,9% acima do nível registrado antes da pandemia. No mesmo intervalo, o óleo diesel acumulou alta de 14,26%, embora tenha registrado queda de 1,22% em julho.

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado um sinalizador antecipado do PIB (Produto Interno Bruto), caiu 0,6% em junho, na comparação com maio. Foi a maior retração mensal em 12 meses, influenciada principalmente pela queda de 1,4% da indústria e de 0,5% dos serviços. No segundo trimestre, porém, o indicador ainda apresentou alta de 0,2% em relação ao trimestre anterior.

Em um cenário de menor ritmo da atividade, determinados custos continuam pressionando as empresas de transporte. O óleo diesel acumulou a maior alta entre os principais insumos analisados pela CNT, de 14,26% até julho. O óleo lubrificante subiu 10,25%, enquanto o pedágio aumentou 4,19%. Entre os combustíveis, a gasolina acumula alta de 4,91% no ano. O movimento foi parcialmente compensado pela queda de 6,15% do etanol e de 3,01% dos pneus.

Os juros também permanecem como fator de atenção para a atividade econômica. Em agosto, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Apesar do corte, o Copom sinalizou a manutenção de uma política monetária restritiva, em um cenário de expectativas de inflação ainda desancoradas. 

Para a CNT, o ambiente de juros elevados permanece relevante para as condições de crédito e para as decisões de investimento das empresas. “Apesar da redução da Selic, os juros permanecem em patamar elevado e seguem como um fator relevante para as condições de crédito e para as decisões de investimento das empresas. Para o setor de transporte, que demanda investimentos contínuos, a evolução do ambiente de negócios será importante para as perspectivas de atividade e para a expansão da capacidade do setor”, analisa a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

As perspectivas para os próximos anos também apontam para um crescimento mais moderado. Segundo o Boletim de Conjuntura Econômica da CNT, o Boletim Focus de 21 de agosto projeta expansão de 1,95% do PIB em 2026 e de 1,50% em 2027. Para o setor de transporte e logística, o desempenho dos setores que demandam os serviços, a evolução dos custos e das condições de crédito seguirá sendo relevante para as decisões de investimentos dos empresários.

Pesquisa CNT de Opinião indica cautela da população

Além dos indicadores de atividade e custos, a 169ª rodada da Pesquisa CNT de Opinião, divulgada no dia 11 de agosto, mostra uma população mais cautelosa em relação às perspectivas econômicas. Para os próximos seis meses, 38,4% dos entrevistados acreditam que a situação do emprego vai melhorar, enquanto 39% esperam estabilidade. Em relação à renda mensal, 52,7% projetam estabilidade e 31,9% esperam aumento. Além disso, cresceu de 23% para 33,3%, na comparação do mesmo período de 2022 e 2026, a parcela que acredita que a economia ficará igual independentemente de quem vencer as eleições.

 

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