Saúde mental eleva custos das empresas, aponta pesquisa
Compartilhe

Pesquisa do Wellhub ouviu 150 líderes brasileiros e 1.515 executivos globais; retorno do investimento em bem-estar passa de 100% em um quarto dos casos

“Tratar o bem-estar como um benefício supérfluo e periférico é o maior atestado de indiferença na gestão de ativos que uma liderança pode assinar hoje”, diz Ricardo Guerra, CEO do Wellhub no Brasil, com base na pesquisa “ROI do Bem-Estar 2026”, executada pela mesma empresa de benefícios corporativos.

O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, entrevistou 150 líderes brasileiros de RH e concluiu que, para 89% deles, problemas de saúde mental entre funcionários elevam os custos da empresa.

“Basta olhar para o macro para entender que o modelo atual faliu. Nos últimos três anos, o Brasil registrou recordes históricos e consecutivos de afastamentos do trabalho concedidos pelo INSS por transtornos mentais e comportamentais”, ressalta o executivo. De acordo com ele, o erro do líder é a concentração de esforços para gerir o problema, e não a solução. “Somos acostumados a remediar a doença em vez de financiar a prevenção”, complementa.

Além disso, o CEO alerta que o colapso da saúde mental na folha não é apenas uma projeção para o futuro. “Ele está acontecendo agora, destruindo valor e pressionando a produtividade das empresas”, afirma.

Mesmo quando a empresa proporciona soluções para a saúde do corpo e da mente dos trabalhadores, a cultura influencia a adesão aos benefícios. “Temos casos de empresas que são praticamente espelhos; concorrentes diretas. […] Ainda assim, uma delas tem 20% de adesão, enquanto a vizinha atinge 60% de engajamento”, conta Guerra. Ele defende que tratar o bem-estar como cultura, e não como benefício passivo, proporciona uma extração maior do valor do investimento.

“O impacto disso no balanço final é brutal: enquanto a empresa madura mantém o mesmo plano de saúde por 7 ou 8 anos devido à sinistralidade controlada, a concorrente é forçada a trocar de operadora a cada dois anos para estancar os reajustes”, pontua. O executivo destaca que a retenção também é afetada, tendo em vista que a companhia consciente se torna mais admirada como marca empregadora. “A outra se torna uma sombra no mercado”, conclui.

O cenário brasileiro reflete uma tendência global. Pelo mundo, foram entrevistados 1.515 líderes. 95% dos que mensuram o ROI de bem-estar registram retorno positivo. Três em cada quatro relatam um retorno superior a 50%, e quase 25% apontam que esse retorno passa dos 100%.

“O ponto cego da liderança cética vai além da matemática direta. Historicamente, associou-se produtividade a controle, pressão e eficiência operacional pura. Só que as regras do jogo mudaram”, elabora o CEO do Wellhub.

Guerra sustenta que a competitividade de uma companhia depende de competências humanas como criatividade, clareza mental, velocidade de adaptação e qualidade de decisão. “A exaustão emocional drena exatamente essas capacidades”, aponta. “Bem-estar corporativo não é uma pauta institucional ‘soft’; é infraestrutura de proteção de performance cognitiva”, encerra.


voltar

SETCESP
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.