Entidade aponta risco de aumento de despesas operacionais, escassez de motoristas e efeito direto no preço ao consumidor
O debate sobre a alteração da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1 tem ganhado força no país, mas seus efeitos podem ir além das relações trabalhistas. Para o setor de transporte rodoviário de cargas, uma eventual aprovação da proposta pode gerar impactos relevantes na operação, nos custos e, consequentemente, no preço final dos produtos.
O alerta vem do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), que vê com preocupação os possíveis desdobramentos da medida em um setor considerado essencial para o funcionamento da economia brasileira.
Responsável por transportar alimentos, medicamentos, insumos industriais e bens de consumo em todo o país, o transporte rodoviário opera com prazos rigorosos e uma dinâmica altamente sensível a mudanças operacionais.
Nesse contexto, alterações na jornada de trabalho exigem uma análise cuidadosa. Segundo o sindicato, mudanças estruturais precisam considerar as particularidades do setor, que já lida com um ambiente regulatório complexo e demandas logísticas intensas.
“Um dos principais pontos de atenção é a falta de mão de obra, especialmente de motoristas profissionais. A redução da carga horária, sem a existência de trabalhadores disponíveis no mercado, tende a agravar esse cenário”, afirma Marcelo Rodrigues, presidente do SETCESP.
Além da questão trabalhista, o impacto direto na produtividade preocupa o setor. Com menos horas disponíveis por profissional, empresas podem precisar ampliar o número de contratações para manter o mesmo nível de serviço.
Esse movimento tende a elevar custos operacionais, administrativos e trabalhistas. Na prática, isso significa que o aumento de despesas não fica restrito às transportadoras, mas se espalha por toda a cadeia logística.
O resultado final, segundo o SETCESP, pode ser sentido diretamente pelo consumidor, já que esses custos costumam ser repassados ao preço dos produtos.
Apesar das preocupações, a entidade reforça que é favorável à melhoria das condições de trabalho. No entanto, defende que mudanças dessa magnitude sejam discutidas de forma ampla, com base técnica e diálogo entre os diferentes setores envolvidos.
A recomendação é que o tema seja tratado dentro de um contexto mais amplo de modernização das leis trabalhistas, levando em conta não apenas os direitos dos trabalhadores, mas também a viabilidade econômica e a segurança jurídica das operações.
Para o SETCESP, qualquer alteração na jornada precisa considerar os impactos logísticos, a disponibilidade de mão de obra e os reflexos nos custos. A entidade afirma estar aberta a contribuir com estudos e dados que ajudem a construir soluções equilibradas, capazes de preservar tanto a eficiência do setor quanto o desenvolvimento econômico do país.
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