PEC da Escala 6×1 e os Impactos no Transporte Rodoviário de Cargas
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O SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região manifesta sua preocupação com a possibilidade de aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da alteração da jornada de trabalho conhecida como escala 6×1.

O Transporte Rodoviário de Cargas é um setor essencial para a economia e para a vida da população, responsável pelo abastecimento de alimentos, medicamentos, insumos industriais e bens de consumo em todo o país. Qualquer mudança estrutural nas regras de jornada de trabalho precisa considerar as características operacionais específicas do setor, sob pena de gerar impactos significativos em toda a cadeia produtiva.

Atualmente, o setor já enfrenta uma grave escassez de mão de obra, especialmente de motoristas profissionais. A eventual redução da carga horária, sem a correspondente existência de trabalhadores disponíveis no mercado, tende a agravar ainda mais esse problema, exigindo a contratação de mais profissionais para manter o nível de operação da categoria que, na prática, não existem em número suficiente.

Além do impacto trabalhista, há um efeito operacional direto. O Transporte Rodoviário de Cargas opera com janelas de coleta e entrega, prazos rígidos, cumprimento de contratos e atendimento a normas já bastante complexas. A redução da jornada, somada à elevada burocracia imposta pela legislação atual, resulta em menos produtividade por trabalhador, obrigando as empresas a absorverem mais custos para entregar o mesmo serviço.

Esse cenário gera um impacto financeiro relevante, com aumento dos custos operacionais, administrativos e trabalhistas. É fundamental deixar claro que esses custos não desaparecem: eles acabam sendo repassados ao longo da cadeia logística e chegam diretamente ao bolso da população, encarecendo alimentos, produtos de higiene, medicamentos, eletrodomésticos e tudo aquilo que depende do transporte para chegar ao consumidor final.

O SETCESP reforça que é favorável a avanços nas relações de trabalho e à melhoria das condições dos trabalhadores, mas entende que essas mudanças devem ser feitas com a reforma da CLT, que data de 1943. A modernização da sociedade e a mudança dos meios de consumo, comunicação, deslocamento, os meios de trabalho trazem muitas outras hipóteses de aperfeiçoamento a serem discutidas com diálogo, responsabilidade técnica e análise de impacto econômico e social, especialmente em setores estratégicos como o Transporte Rodoviário de Cargas.

Por isso, a entidade defende que qualquer proposta de alteração na jornada de trabalho considere:

  • a realidade da falta de mão de obra no setor;
  • os impactos operacionais e logísticos nas empresas;
  • o reflexo direto nos custos dos serviços e no preço final ao consumidor;
  • e a necessidade de segurança jurídica e viabilidade econômica para as empresas.

O SETCESP permanece à disposição para contribuir com dados, estudos e diálogo institucional, sempre com o compromisso de defender o transporte, para o bem da economia e a sociedade brasileira.

São Paulo, 12 de fevereiro de 2026.

Marcelo Rodrigues
Presidente do Conselho Superior e de Administração
SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região


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