Venda de caminhões recua 30% em janeiro e ainda não reflete impacto do Move Brasil
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O desempenho do primeiro mês do ano confirma que o setor segue sensível às condições macroeconômicas; a retração foi mais intensa entre os caminhões pesados, segmento mais dependente de financiamentos de longo prazo e de maior tíquete médio

Os emplacamentos de caminhões começaram 2026 em forte retração no Brasil, indicando que o setor ainda não incorporou os efeitos do programa federal Move Brasil, voltado à renovação da frota. Em janeiro, foram emplacadas 6.379 unidades, volume 30,1% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o segmento somou 9.131 caminhões, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados na manhã desta terça-feira (3).

Na comparação com dezembro de 2025 — tradicionalmente um mês mais aquecido devido ao fechamento de negócios represados — a queda foi ainda mais acentuada. O volume de janeiro ficou 34,7% abaixo das 9.765 unidades emplacadas no último mês do ano passado, refletindo tanto a sazonalidade típica do início do ano quanto o impacto persistente do custo elevado do crédito sobre as decisões de compra.

Segundo a Fenabrave, o desempenho de janeiro confirma a sensibilidade do setor às condições macroeconômicas. Em nota, o presidente da entidade, Arcelio Junior, afirmou que o comportamento dos emplacamentos está diretamente ligado ao nível de atividade econômica, ao desempenho do agronegócio e ao custo do financiamento para veículos pesados. “O Move Brasil deve impulsionar o mercado nos próximos meses, especialmente entre os caminhões pesados, que representam cerca de 45% do mercado total, mas esse impacto ainda não se materializou no início do ano”, disse.

Move Brasil já liberou R$ 1,3 bi
Apesar disso, em apenas um mês de operação do programa BNDES Renovação da Frota — iniciativa que integra o Move Brasil, política de mobilidade verde lançada pelo governo federal — o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 1,3 bilhão em crédito. No período, foram realizadas 1.152 operações, com tíquete médio de R$ 1,1 milhão, atendendo caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas em 532 municípios de todas as regiões do país.

Os recursos podem ser utilizados na compra de caminhões novos, mais eficientes e menos poluentes, além de seminovos fabricados a partir de 2012 e alinhados às exigências ambientais do Proconve 7.

Lançado em dezembro, o Move Brasil dispõe de R$ 10 bilhões, sendo R$ 6 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 4 bilhões captados pelo banco a taxas de mercado. As condições incluem juros estimados entre 13% e 14% ao ano, prazo de pagamento de até 60 meses e carência de até seis meses. O valor máximo por beneficiário é de R$ 50 milhões. Do total disponível, R$ 1 bilhão foi reservado exclusivamente para caminhoneiros autônomos e pessoas físicas vinculadas a cooperativas. A autorização para o uso de recursos do Tesouro foi concedida por meio da Medida Provisória 1.328, publicada em dezembro de 2025.

Para o conjunto de 2026, a Fenabrave projeta crescimento de 3,5% nos emplacamentos de caminhões, com volume estimado em 114.752 unidades, acima das 110.873 registradas em 2025. A expectativa da entidade é de uma recuperação gradual ao longo do ano, concentrada principalmente na segunda metade do período, à medida que os recursos do Move Brasil — que prevê aporte de cerca de R$ 10 bilhões ainda no primeiro semestre — cheguem efetivamente ao mercado e ajudem a destravar parte da demanda reprimida do setor.


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