Reduzir jornada de trabalho pode agravar déficit de mão de obra no transporte, aponta CNT
Compartilhe

Em manifesto, entidades do setor alertam que mudanças podem elevar custos e comprometer a regularidade dos serviços

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) e outras entidades do setor produtivo lançaram um manifesto sobre a modernização da jornada de trabalho, alertando que mais de 65% das empresas de transporte de cargas e 53% do transporte urbano já enfrentam falta de motoristas no país. Para a CNT, reduzir a jornada, sem considerar as especificidades do setor, pode agravar o déficit de mão de obra, elevar custos e comprometer a regularidade dos serviços.

O documento é assinado por confederações nacionais como a CNT, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), além de federações e associações.

Segundo o manifesto, a discussão para as mudanças na jornada de trabalho deve ser guiada por quatro princípios. O primeiro deles é a preservação dos empregos formais. As entidades destacaram que cerca de 40% da população economicamente ativa encontra-se na informalidade.

Dessa forma, a redução de incentivos à informalidade, direcionando estratégias e políticas que observem diferenças setoriais e por porte de empresa, se torna essencial ao crescimento econômico e ao desenvolvimento social sustentáveis do país. Além disso, de acordo com o documento, a adoção de medidas concretas para aumentar a produtividade, tais como qualificação e difusão tecnológicas, é urgente.

Outro ponto destacado é a diferenciação por setor e uso de negociação coletiva. Para as entidades, é necessário reconhecer a heterogeneidade do mercado de trabalho e focar em ajustes setoriais, seja por atividade ou por meio da negociação coletiva. Isso permite a adaptação de escalas, turnos e limites de trabalho de acordo com o contexto do setor e da região.

Por fim, as entidades destacaram a necessidade da discussão técnica aprofundada e a governança de diálogo social. Mudanças estruturais, como a dos limites constitucionais da jornada de trabalho, devem ser fundamentadas em debates técnicos aprofundados, que considerem impactos e alternativas, com governança por meio de diálogo social centrado no consenso entre trabalhadores, empregadores e poder público.

“Proteger quem mais precisa significa, também, prevenir que mudanças provoquem aumento da informalidade, da necessidade de aumento do volume de trabalho para obter renda complementar, e esvaziamento da promessa de melhoria de qualidade de vida”, destacou o manifesto.

FIM DA ESCALA 6X1
A publicação desse documento coincide com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e pode impactar diretamente o funcionamento do transporte rodoviário de cargas no Brasil. Entidades do setor de logística alertam que as alterações na jornada de trabalho tendem a agravar o cenário de escassez de motoristas e podem elevar os custos operacionais.

Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (SETCESP), as alterações estruturais na jornada de trabalho precisam considerar as especificidades da atividade, sob risco de comprometer a eficiência logística.

“Um dos principais pontos de atenção é a falta de mão de obra, especialmente de motoristas profissionais. A redução da carga horária, sem a existência de trabalhadores disponíveis no mercado, tende a agravar esse cenário”, avaliou o presidente do SETCESP, Marcelo Rodrigues.

Dados da pesquisa Sistema Transporte da CNT de 2021 mostram que 65,1% das empresas de transporte rodoviário de cargas relatam falta de motoristas profissionais, além da falta de mecânicos e profissionais de manutenção (19,2%), gerentes operacionais (15,1%) e trabalhadores administrativos (14,4%).


voltar

SETCESP
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.