A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atualizou nesta sexta-feira, 13, a grade de parâmetros de março para o ano de 2026 e estimativas preliminares de impactos do conflito no Oriente Médio na economia brasileira. Da grade de fevereiro para a de março, as projeções para as variáveis mudaram pouco, sendo principalmente impactadas pelo aumento nas cotações do petróleo.
O primeiro destaque foi a mudança na estimativa da cotação média do petróleo para 2026, que subiu de US$ 65,97 para US$ 73,09 por barril, uma alta de aproximadamente 10,8%.
No mesmo período, a estimativa de câmbio médio para o ano caiu de R$/US$ 5,43 para R$/US$ 5,32, uma variação de cerca de 2,1% já considerando o câmbio efetivamente observado nos meses de janeiro e fevereiro.
Inflação
Essas mudanças alteraram as estimativas de inflação para 2026. Segundo a SPE, o impacto estimado para uma alta de cerca de 1% no preço do petróleo na inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,02 ponto porcentual, considerando nessa projeção uma alta dos preços na refinaria de gasolina e diesel e um repasse de cerca de 20% a 30% dos preços da distribuidora para os preços de comercialização final.
Em contrapartida, considerou-se uma redução de 0,06 ponto porcentual para cada 1% de apreciação do real frente ao dólar.
Essas mudanças levaram a uma alta de 0,1 ponto porcentual na inflação medida pelo IPCA no ano, já incorporando o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) de fevereiro, ligeiramente acima do esperado, elevando a projeção para 2026 de 3,6% na grade de fevereiro para 3,7% em março.
Por sua vez, a projeção para a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) passou de 3,7% para 3,8%, já considerando nesses cálculos o menor peso da gasolina nesse índice.
Para a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), o impacto do choque nos preços do petróleo foi maior. A projeção para a variação desse índice avançou para 4,9% em 2026, ante 4,6% na grade de fevereiro.
“O IGP-DI é mais sensível à variação nas cotações do petróleo por conter em sua cesta também itens de atacado, como produtos da indústria extrativa, derivados de petróleo e produtos químicos, inclusive fertilizantes”, explicou a SPE.
Da alta projetada para o IGP-DI no ano, já foram compensados o impacto negativo com a apreciação do real no período e a variação abaixo da projetada para o índice em janeiro.
PIB
A projeção para o crescimento de 2026 não se alterou na grade de março, permanecendo em aproximadamente 2,3%. A elevação de 10,8% na cotação média do petróleo no ano contribuiu para melhorar o crescimento de 2026 em 0,1 ponto porcentual.
Em compensação, entre a grade de fevereiro e março houve a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025 e o resultado para a indústria (crescimento de 1,4% no ano), em específico, veio abaixo do esperado pela SPE (alta de 1,7%), reduzindo o carregamento estatístico para o setor em 2026 e, de maneira marginal, também o crescimento projetado para o ano.
Assim, apesar de a elevação na cotação do petróleo trazer impacto positivo de cerca de 0,1 ponto porcentual para o crescimento, esse impacto foi parcialmente compensado por revisões marginais para baixo na estimativa de crescimento após a divulgação do PIB do quarto trimestre de 2025.
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